Clássico do dia: Porsche 911 Turbo
Por Julio Cabral
O Porsche 911 foi lançado em 1963 como um esportivo mais refinado e confortável do que o antecessor 356. De quebra, tinha motor maior de seis cilindros. Falando assim, logo imaginamos um bólido, mas o fato é que o modelo tinha apenas 2 litros e 130 cv, o que já lhe emprestava um desempenho afinado, porém incapaz de peitar a contemporânea Ferrari 275 GTB ou o futuro Lamborghini Miura. Esses estavam em outra seara, a de superesportivos com motorzão V12. O 911 era um esportivo elegante, ainda que manhoso em altas velocidades, e só perderia a sua seriedade germânica em 1975.
Foi o ano em que o 911 Turbo (ou 930 para os devotos) apareceu para perverter essa sisudez. O seis boxer continuava a ser de popa, mas foi ampliado para 3 litros - o mesmo do RS 3.0. Mas o truque de mágica não era segredo e estava no nome do próprio modelo: um turbocompressor. A Porsche já havia usado a tecnologia de sobrealimentação nas pistas, mas perdeu a primazia para a compatriota BMW e seu 2002 Turbo.
O 930 chegou depois, porém chegou mais rápido. A turbina KKK levou a potência aos 260 cv a 5.500 rotações e 35 kgfm de torque aos 4 mil giros. Os números frios não entregam o jeito cadeira elétrica de ser: quando o conta-giros passava dos 2.500 giros, a coisa ficava realmente séria. Hoje em dia, os turbos agem pouco acima da marcha lenta, mas na época o atraso de entrada da turbina dava uma pitada extra de emoção. A excitação exigia braço, afinal, o entre-eixos continuava a ser de curtíssimos 2,26 metros e a caixa de câmbio tinha apenas quatro marchas.
Mesmo com bitolas e rodas traseiras bem mais largas, saídas de traseira homéricas faziam parte do cardápio do dia-a-dia, ainda que a estabilidade em alta fosse boa graças ao spoiler apelidado de cauda de baleia. Se o talento do condutor permitisse, a arrancada desenfreada aos 100 km/h era superada em 5,5 segundos e a velocidade máxima chegava a 246 km/h. Não batia os rivais italianos, mas era o suficiente para cruzar as autobahns mais rápido do que a maioria dos outros veículos daquele habitat natural. A coisa melhoraria ainda mais em 1978, quando chegou o motor maior 3.3 e a potência foi aos 300 cv, o que ampliou a máxima aos 260 km/h.
A primeira geração do 911 Turbo foi até 1989 e se tornou o símbolo de consumo supremo dos yuppies, aquela tribo de jovens profissionais urbanos bem-sucedidos e com gosto por coisas caras. E pavimentou o caminho para a continuação da evolução do 911, inserindo-o entre os supercarros.
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