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Curiosidades sobre carros
Por
Marcos Rozen

Não é novidade para ninguém que de meados da década de 1970 até os anos 2010 a Chevrolet brasileira viveu uma forte fase Opel. Modelos como Chevette, Monza, Omega, Astra, Corsa, Meriva e Vectra, por exemplo, foram, durante muito tempo, reproduções nacionais quase idênticas aos originais da divisão alemã da General Motors. Essencialmente, eram modelos Opel cuja diferença para os fabricados localmente estava no emblema Chevrolet.

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Existiu, porém, um veículo — hoje quase esquecido — que fez o caminho inverso. Foi o conceito Tonga, desenvolvido na General Motors do Brasil (ainda que tendo por base o Corsa alemão) e apresentado na Europa como legítimo Opel. O Tonga nasceu nos estúdios de design da GM em São Caetano do Sul (SP) como um “show car” montado para abrilhantar o estande da Chevrolet no Brasil Motor Show 1995.

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Chevrolet Tonga foi conceito desenvolvido para ser exposto no Brasil Motor Show de 1995 — Foto: Divulgação/Acervo Miau
Chevrolet Tonga foi conceito desenvolvido para ser exposto no Brasil Motor Show de 1995 — Foto: Divulgação/Acervo Miau

Um de seus destaques era o teto tipo ragtop, de lona, que ia da linha superior do para-brisa até o fim da vigia da tampa do porta-malas, e podia ser retirado inteiramente. Com isso o Tonga ganhava um quê de conversível, e essa impressão era reforçada por uma barra tipo santantônio instalada para assegurar proteção aos ocupantes. Já os bancos dianteiros não tinham espumas nem molas: eram feitos apenas de estrutura tubular recoberta de tecido flexível.

Por fora destacavam-se o para-choque dianteiro, que integrava uma espécie de quebra-mato com aletas centrais, no melhor estilo Jeep, e as molduras dos faróis e farol de neblina, linguagem que se repetia na traseira.

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Chamavam a atenção, ainda, máscaras nas lanternas estilo Mustang, que virariam febre no mercado de acessórios logo depois, e um curioso rack de teto que acompanhava a curvatura da tampa traseira. Completavam o pacote externo largas molduras laterais e nas caixas de roda.

Conceito Tonga tinha teto de lona removível, carroceria colorida e barra santantônio para a segurança dos passageiros na segunda fileira — Foto: Divulgação/Acervo Miau
Conceito Tonga tinha teto de lona removível, carroceria colorida e barra santantônio para a segurança dos passageiros na segunda fileira — Foto: Divulgação/Acervo Miau

O visual aventureiro do Tonga foi também complementado por suspensão elevada e pneus Pirelli P44 APT de uso misto e rodas esportivas aro 15. O melhor era a cor, um tipo de azul que ficava roxo dependendo da incidência da luz na carroceria misturado com verde vitamina de abacate nos para-choques, estribos, rodas, teto de lona e comandos internos, ao estilo Twingo.

As especificações do Tonga nunca foram reveladas, embora um ressalto plástico no capô sugerisse algo mais esportivo do que os Corsas de linha. A vida local do Tonga mudou mesmo quando um diretor de alto escalão da matriz da GM esteve no país e conheceu o modelo: impressionado com o resultado do trabalho, decidiu levar o carro para participar de salões na Europa.

Porém, chegando lá, ele foi mostrado como Opel Tonga Concept. As gravatinhas na grade dianteira, na tampa traseira, nas calotinhas centrais das rodas e no miolo do volante foram trocadas pelo raio que simboliza a Opel. E só.

Versão Opel do Tonga foi até capa de uma revista americana, algo raro para veículos de fora dos EUA — Foto: Divulgação/Acervo Miau
Versão Opel do Tonga foi até capa de uma revista americana, algo raro para veículos de fora dos EUA — Foto: Divulgação/Acervo Miau

Em um verdadeiro giro europeu, o carro foi apresentado primeiramente no Salão de Turim, em abril de 1996. Depois, em eventos em Portugal e na Espanha, além de outros, até a maior glória: o Salão de Paris, em outubro de 1996.

O mais curioso é que, nas exposições europeias, o Tonga, com os créditos de seu nascimento brasileiro devidamente apresentados, ganhou a companhia de dois manequins articulados, do tamanho de uma pessoa, que se projetavam de dentro para fora do conceito pelo teto aberto. Eles tinham TVs de tubo no lugar da cabeça, que exibiam pinturas famosas em estilo videoclipe. Era quase uma instalação artística.

Seja como for, deu resultado, pois o Tonga apareceu em várias revistas automotivas. Chegou até a estampar a capa da americana Autoweek — coisa rara em se tratando de veículos de fora dos Estados Unidos.

De volta ao Brasil, no fim de 1996, o sucesso europeu deu origem a um segundo conceito, o Tonga SUV, baseado no Corsa Wagon. Para sua construção foram reaproveitadas algumas partes do Tonga original, o que, infelizmente, acabou por representar a destruição do original. Mas nesse caso, pelo menos, terminou-se uma história para iniciar-se outra...

Conceito foi levado aos salões da Europa como um modelo da Opel após vinda de diretor da matriz da GM ao Brasil — Foto: Divulgação
Conceito foi levado aos salões da Europa como um modelo da Opel após vinda de diretor da matriz da GM ao Brasil — Foto: Divulgação

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