Nissan Frontier S 4x4: primeiras impressões
Versão mais barata da picape tem motor menos potente e câmbio manual. Mas equilibra muito bem conforto com a vocação para o trabalho pesado.
Por G1
Zeca Pagodinho exalta a simplicidade e a origem humilde em “Deixa a vida me levar”, uma de suas canções mais famosas. A música certamente serviria de trilha sonora para a Nissan Frontier S, configuração mais básica da picape média, mas que já traz tração 4x4.
Ela é despojada de praticamente todos os luxos. Suas rodas são de aço, e não possuem sequer calotas. Capota marítima, protetor de caçamba, estribos laterais, retrovisores e maçanetas na cor do veículo também reforçam a lista de ausências.
Até o rádio Pioneer que ilustra as fotos do interior é vendido como acessório pela Nissan.
Nem mesmo o motor escapou da “simplificação” generalizada. Em vez de duas turbinas, o 2.3 de 4 cilindros a diesel tem apenas uma. Isso significa 30 cavalos e 4,9 kgfm de torque a menos, somando 160 cv e 41 kgfm. Para a configuração mais simples, nada de câmbio automático.
A Frontier S é a única a sair de fábrica com câmbio manual de 6 marchas, em uma das raras combinações desse tipo de transmissão com a tração nas 4 rodas.
A Frontier S pode ter nascido para o trabalho pesado. Mas será que pode ser usada como veículo de lazer? O G1 avaliou a configuração mais simples da picape da Nissan.
Por R$ 140.900, ela não maltrata tanto o bolso do comprador. Seu preço é R$ 57 mil mais baixo do que a Frontier LE, opção mais cara da linha.
Pouco mais do que o básico
Mas é preciso dizer que a Nissan básica traz, ao menos, equipamentos que garantem conforto para os ocupantes.
Há direção hidráulica, ar-condicionado, computador de bordo, retrovisores elétricos e vidros elétricos nas quatro portas. O pacote de segurança inclui controles de tração e estabilidade, controle de descida e auxílio em rampas.
A turma do banco de trás conta com porta-copos no encosto central e saída de ventilação. Além dessas “mordomias”, a Frontier ainda tem painel da porta com forro parcial em tecido – melhor até do que o Volkswagen Jetta, por exemplo.
Se quiser, o cliente pode incluir alguns acessórios. O rádio Pioneer, com conexão Bluetooth e entrada USB, sai por R$ 370, enquanto protetor de caçamba e capota marítima custam R$ 2.026. Se quiser melhorar o acesso à cabine, por R$ 786 é possível incluir estribos laterais.
Porém, essencial mesmo é o sensor de estacionamento, que custa R$ 794. Afinal, mesmo os motoristas mais habilidosos terão dificuldade em manobrar os 5,26 metros de comprimento.
Coração nobre
Ainda que a ausência do sensor torna as manobras mais difíceis, a dirigibilidade da Frontier S surpreende positivamente. É a redenção da picape “basicona”.
Por ser a mais leve entre todas as Frontier, com 2.030 kg, os 30 cv a menos parecem não fazer falta. O desempenho é muito bom, principalmente porque o motorista pode gerenciar melhor a potência retardando ou antecipando as trocas de marcha.
A Frontier S ainda conserva a peculiar arquitetura da suspensão traseira, do tipo multilink – bastante incomum para picapes montadas com carroceria sobre chassi. Ela garante maior conforto aos ocupantes, sacolejando menos ao passar por terrenos irregulares.
Outra marca registrada da Nissan, os bancos são bastante confortáveis, ainda que o tecido pareça de qualidade não tão boa.
Apesar de ser uma versão menos equipada, o isolamento acústico é bom para um veículo desta categoria e que roda com diesel, normalmente mais ruidoso.
Melhor ainda é o consumo. Durante o teste, a Frontier S registrou ótimos 12 km/l urbanos, passando de 13 km/l na estrada. Os números são superiores até em relação aos que a Nissan divulga: 9,3 km/l no ciclo urbano e 10,2 km/l no rodoviário.
Tamanho é documento?
A Fronter S anda bem, tem bom consumo de combustível, e, embora tenha uma “embalagem e conteúdo” modestos, é agradável de dirigir.
Seu preço também a coloca como uma das melhores opções do segmento.
Sua grande concorrente é a Ford Ranger XL 4x4 com câmbio manual – assim como a Nissan, uma das poucas opções do mercado que reúne essas configurações de câmbio e tração.
A picape mais simples da Ford custa menos, R$ 135.690, mas não tem vidros elétricos. Por outro lado, tem direção elétrica e rádio com comandos no volante, além de poder levar 118 kg a mais na caçamba. Seu motor 2.2 tem potência semelhante, 160 cv, mas um pouco menos torque – 39,3 kgfm.
Entre as demais picapes médias, apenas a Mitsubishi L200 Outdoor se aproxima em preço. Vendida por R$ 139.990, ela entrega mais equipamentos, além de um motor mais potente (um 2.4 de 190 cv). S10 (R$ 171.690), Hilux (R$ 151.990) e Amarok (R$ 156.290) são bem mais caras.
Quem também acaba se “intrometendo” nessa faixa de preço é a Fiat Toro, que traz motor 2.0 diesel de 170 cv e 35,7 kgfm, mas câmbio automático de 9 marchas. Sua versão de entrada, com esse conjunto mecânico, custa R$ 134.990.
Só que ela é bem menor. São 4,95m de comprimento e 2,99m de entre-eixos. A capacidade de carga, de 1 tonelada, é praticamente a mesma, só que o volume da caçamba é bem menor. E o tipo de construção também é outro.
A Toro é uma picape monobloco – arquitetura semelhante à dos automóveis. Acaba sendo mais confortável do que as picapes, feitas com carroceria sobre chassi. Mas não se sai tão bem na hora do trabalho pesado.
Não desaponta
É nesse ponto que a Frontier se destaca. Ela tem ótimo equilíbrio entre robustez e conforto dos ocupantes. Mesmo sendo simples, beirando o espartano, a picape da Nissan é agradável de guiar, além de ter equipamentos e acabamento condizentes com seu preço.
Considerando que não é difícil picapes a diesel ficarem próximas dos R$ 200 mil, chega a ser um alívio ver que há opções com preços mais amigáveis. Ainda que, para isso, seja preciso abrir mão de cromados e couro.









