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Um Só Planeta

Por Thais Villaça

Mesmo com todas as montadoras apostando na corrida pela eletrificação, colocando prazos para dar uma basta na produção de carros a combustão, a Ferrari parece estar, digamos, mais relaxada para cumprir metas de eficiência.

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Cultuada a um status quase religioso, a marca italiana tem um cuidado extremo com sua imagem, por isso sempre remou contra a maré se comparada às outras montadoras — apesar de dar o braço a torcer em algumas opiniões, como sua política contrária aos SUVs derrubada pelo lançamento do Purosangue, previsto para o ano que vem.

E, independentemente da chegada de modelos híbridos à sua linha, os executivos da marca desconversam quando o assunto é a primeira Ferrari elétrica da história.

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Apesar disso, a empresa pode estar trabalhando por trás dos panos para que isso aconteça logo, ainda mais se analisarmos que o novo CEO da Ferrari, Benedetto Vigna (ele assume o cargo em 1º de setembro), vem de uma empresa suíça de semicondutores, a STMicroeletronics.

A SF90 foi a primeira Ferrari híbrida plug-in da história da fabricante — Foto: Divulgação
A SF90 foi a primeira Ferrari híbrida plug-in da história da fabricante — Foto: Divulgação

Ou seja, o executivo italiano quebra um paradigma ao se tornar o primeiro presidente da marca sem vínculos duradouros com a indústria automotiva, mas sim por ser um especialista no setor de tecnologia.

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Além disso, o atual CEO da Ferrari, John Elkann, deu mais pistas sobre planos para o futuro, apesar de evitar falar explicitamente sobre um modelo elétrico. Há, inclusive, discussões internas sobre carros movidos a células de hidrogênio.

Não dá para fugir do processo de eletrificação e downsizing - e isso já ficou claro com o lançamento da 296 GTB híbrida equipada com motor V6 -, ainda mais com o banimento dos carros a combustão nos principais mercados automotivos do mundo nas próximas duas décadas.

Mas a Ferrari, ao que tudo indica, deve adiar sua “conversão” aos elétricos até o último momento, focando em melhorar seus modelos híbridos, como a SF90, enquanto isso.

“Aprendemos que a hibridização nos dá a oportunidade de começar a navegar por águas desconhecidas em termos do que é possível fazer. Também acredito que temos a chance de acessar um amplo leque de novas tecnologias, entre as quais está a eletrificação, que nos permitirá ser mais inovadores e criativos”, disse o executivo.

A afirmação dá a entender que a italiana vai desenvolver a tecnologia para carros elétricos na surdina, ao mesmo tempo em que aprimora seus híbridos — além de entender mais a fundo essa demanda.

Outro indício que dá suporte a essa teoria é que Elkann se recusou a falar de prazos, mencionando apenas a década entre 2030 e 2040 como primordial — o mesmo período em que a venda de carros a combustão deve ser extinta.

A ideia é ter um modelo BEV pronto para ser lançado assim que o mercado exigir, mas não antes disso. Tudo isso para não frustrar seu público cativo, que delira ao ouvir o ronco dos tradicionais motores da marca.

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