Teste: Mercedes-Benz A 35 AMG é o esportivo que redefine o termo "carro de entrada"
Hatch é o mais em conta da linha de esportivos da marca, custa R$ 279.900 e tem 306 cv
Por André Schaun
A Mercedes-Benz lançou no Brasil o modelo de entrada da marca esportiva AMG, o A 35 4MATIC, por R$ 279.900. E, ser de "entrada" não significa que oferece pouco. Ou menos. Afinal, um Mercedes que vem acompanhado dessa sigla sempre será um modelo especial.
Em outubro, a marca já havia lançado o carro, mas apenas na versão especial Launch Edition (edição de lançamento, em inglês), por R$ 285.900, limitada a 40 unidades, que esgotaram rapidamente.
Para o ano que vem, Auto News Brasil apurou que a Mercedes está estudando ampliar o lote. Serão 150 veículos , incluindo mais unidades da versão Launch Edition. Porém, como o nome "launch" (de lançamento) não fará mais sentido, será rebatizado como Special Edition.
A diferença entre as duas versões está apenas no design. A especial traz aerofólio traseiro, spoiler frontal e aletas aerodinâmicas na lateral do para-choque. As rodas são de 19 polegadas calçadas em pneus 235/35 R19, enquanto a versão “comum” A 250 traz rodas 225/45 R18.
O motor é um quatro-cilindros 2.0 turbo de 306 cv e 40,7 kgfm de torque. A aceleração de zero a 100 km/h é feita em 4,7 segundos, tempo de Mustang, e a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 250 km/h.
O câmbio é automático de dupla embreagem com sete marchas e a tração integral. Seria difícil repassar tamanha força para o piso sem tração nas quatro rodas permanente. O A250 convencional traciona apenas o eixo dianteiro.
O esportivo é feito sob a nova plataforma modular MRA da Mercedes-Benz para veículos compactos — no Brasil, o tamanho do Classe A o enquadra como médio.
Por fora, a versão esportiva do Classe A conta com o pacote Night AMG, com acabamentos e detalhes escurecidos, como nos retrovisores, frisos dos para-choques, faróis e as rodas de liga leve pretas diamantadas.
O interior traz materiais nobres em couro e couro do tipo Alcântara e acabamentos emborrachados e em fibra de carbono, além de detalhes cromados e em black piano. Mantendo a tradição AMG, os cintos e as costuras são vermelhas.
A Mercedes diz que o A 35 foi desenvolvido com o objetivo de ampliar o portfólio de modelos da AMG e conquistar clientes jovens que buscam tecnologia, design e esportividade.
A esportividade e o design já foram apresentados, e parte tecnológica fica por conta do MBUX, o já conhecido sistema inteligente que obedece a comandos de voz do motorista e realiza diversas funções. Basta um “Ei, Mercedes” e em seguida dizer um pedido que o sistema realiza. O jeitão tecnológico da cabine é reforçado pelas duas telas de 10,2 polegadas do painel e da central multimídia (sensível ao toque).
Ajuste de temperatura do ar-condicionado, abertura e fechamento da persiana do teto solar, ligar para alguém que está em sua lista de contatos do celular, mudar de rádio, consumo e tantos outros comandos são efetuados.
Impressões ao dirigir
A avaliação foi bem rápida, mas deu para sentir alguns pontos do hatch esportivo. A aceleração do A 35 é alucinante. O torque máximo entregue a 3.000 rpm faz o hatch de 1.555 kg parecer um foguete de tão rápido e ágil.
O sistema de tração 4Matic fez a sua mágica no circuito. O hatch mantem-se agarrado ao asfalto nas curvas, transmitindo toda segurança digna de um esportivo — tem suspensão firme e equilibrada.
A tração variável prioriza a dianteira e o máximo de força que é transferido para traseira é de 50%, não passando disso. Portanto, torna-se mais difícil aquelas “escapadas” em curvas quando a tração está concentrada na parte de trás.
Não utilizamos muito os freios em situações comuns, mas deu para sentir que é extremamente sensível e a dosagem certa exige alguma atenção, para não tomar o susto.
O câmbio de dupla embreagem faz mudanças de maneira quase imperceptível. Como não poderia deixar de ser, há borboletas no volante para dar aquele envolvimento que você espera em um carro de alto desempenho.
A posição de dirigir também combina com essa pegada violenta do A 35 AMG. Fiquei sentado bem baixinho e os apoios do banco me prenderam mesmo nas curvas mais rápidas ou fechadas.
Infelizmente, como vários momentos bons da vida, o teste durou pouco. Nem pude pegar a reta principal por inteiro. Duas voltas teria sido muito bacana, mas o teste foi abreviado pelo fato de um jornalista ter rodado com um AMG GT. Não é fácil de fato controlar um Mercedes-Benz que traz essas três letrinhas mágicas.
Caso você não queira tanta força, há uma opção mais barata do Classe A hatch. Lançado em janeiro, o A 250 Vision vendeu 409 exemplares até o final de novembro deste ano e se tornou um dos raros hatches médios premium no Brasil, de concorrente, ele tem praticamente só o novo BMW Série 1. Custando R$ 199.900, seu motor é um quatro-cilindros 2.0 turbo de 224 cv de potência e 35,7 kgfm de torque.
Mas, caso você deseje todo o poder de fogo que um Classe A pode oferecer e queira esperar um pouco, o A 45 AMG, que chega ao Brasil em março, talvez seja o seu carro. Com motor 2.0 turbo mais potente já produzido em série, o hatch tem 421 cv de potência e 51 kgfm de torque. Se um tem desempenho de Camaro, o outro é quase um Porsche em versão hatch.
Ficha técnica
Motor
Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 2.0, 16V, comando duplo no cabeçote, turbo, injeção direta de gasolina
Potência
306 cv a 5.800 rpm
Torque
40,8 kgfm a 3.000 rpm
Câmbio
Automático de 7 marchas e dupla embreagem, tração integral
Direção
Elétrica
Suspensão
Indep. McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios
Discos ventilados (diant. e tras.)
Pneus
235/35 R19
Dimensões
Compr.: 4,36 metros
Largura: 1,80 m
Altura: 1,40 m
Entre-eixos: 2,72 m
Tanque
51 litros
Porta-malas
370 litros (fabricante)
Peso
1.555 kg









