Teste: Peugeot 208 GT
Com motor turbo de 173 cv sob o capô e câmbio manual de seis marchas, a nova versão faz por merecer o título de "hot hatch"
Por Gabriel Aguiar
A Peugeot apresentará hoje (4) o novo 208, que chegará ao mercado no próximo mês com visual igual ao modelo europeu e duas novas motorizações. Para as opções de entrada a novidade é o 1.2 de três cilindros com 90 cv, enquanto a inédita versão esportiva GT terá sob o capô um motor turbinado com 173 cv de potência.
Trata-se do mesmo 1.6 THP usado por 308, 408 e 2008. Mas ao contrário dos primos conservadores, a intenção do hatch é abalar famílias tradicionais – ao menos na hora da compra. Se você dá voz à razão para assinar o cheque, o 208 GT surpreende com uma carroceria de quatro portas e motorização flex. Mas basta ficar atrás do volante para notar que a emoção é o grande apelo.
O motorista é o centro das atenções na cabine do hot hatch, que se diferencia das opções “civilizadas” pelo volante envolto com couro e pelo quadro de instrumentos rodeado por um filete vermelho. Com tantos carros de aparência à venda, não chega a ser pecado duvidar das capacidades do Peugeot, mas basta girar a chave para ouvir o ronco abafado que sai do escapamento duplo convidando para um passeio de aprovação.
Por fora, o visual chega a ser discreto se levarmos em conta que alguns modelos esportivados que apelam para entradas de ar decorativas, apliques plásticos e outros detalhes chamativos do lado de fora. Os para-choques foram redesenhados para toda a gama, mas a versão apimentada é a única a trazer rodas de liga leve de 17" com acabamento diamantado, faróis escurecidos com projetores e grade do motor com apliques na cor vermelha.
Exibido, o novo 208 GT gosta de ir às pistas para fazer curvas no limite e correr sem preocupações nas retas. As rotações do motor sobem rapidamente, principalmente quando o ponteiro do conta-giros ultrapassa as 2.000 rpm – momento no qual o turbo enche os pulmões para soprar plenamente. Ainda assim, o comportamento é bastante linear e apenas um assovio durante as acelerações relembra que sob o capô está trabalhando um caracol.
O desempenho faz jus às expectativas: são necessários 7,9 segundos para ir de 0 a 100 km/h – 0,3 s a menos que o declarado pelo fabricante –, mas é o comportamento neutro da carroceria que merece aplausos. A suspensão ganhou apenas molas e amortecedores recalibrados, enquanto a barra estabilizadora dianteira ficou mais grossa, mas isso foi suficiente para evitar qualquer tendência ao substerço.
Com menos de 1.200 kg na balança, o 208 GT vem equipado com a mesma transmissão de seis velocidades com relações curtas e engates precisos já utilizada pelo 2008 THP. Ao contrário de outros câmbios, nos quais a última marcha atua como um overdrive para baixar as rotações do motor e melhorar o consumo em altas velocidades, no hot hatch a opção serve para deixar o comportamento mais arisco e as retomadas mais ágeis. Na prática, são 5,8 s no ensaio de 60 a 100 km/h. Como o carro cedido pela empresa ainda não estava emplacado, só pudemos testá-lo em pista fechada. Assim, ainda não aferimos os índices de consumo de combustível do 208 GT.
Comparada às outras versões, só a opção esportiva traz freios a disco nas quatro rodas e controle de estabilidade. Não existem opcionais para o modelo turbo, mas a lista de equipamentos vem recheada com seis airbags, assistente de partida em rampa, teto panorâmico de vidro, ar-condicionado digital de duas zonas e uma nova central multimídia com GPS integrado, câmera de ré e espelhamento de celular por Apple CarPlay e Android Auto.
A bordo, todos são recebidos com um revestimento exclusivo de tecido e couro nos bancos, enquanto o teto e as colunas têm acabamento preto – nas demais configurações a parte superior da cabine é cinza. No geral, quase todas as peças do habitáculo são de plástico rígido e têm bons encaixes, enquanto uma faixa emborrachada no centro do painel rompe a monotonia de texturas – os difusores de ar prateados fogem do padrão escuro.
O espaço para quem viaja à frente é amplo e é fácil para o motorista encontrar a posição ideal de dirigir graças aos ajustes de altura e de profundidade da coluna de direção, além da regulagem de altura do assento. Entretanto, a vida não é tão fácil para quem vai atrás. Na segunda fileira, o espaço é justo para ombros e joelho, mas o principal problema é para a cabeça: por causa do teto de vidro, o revestimento fica tão baixo que raspa facilmente na cabeça dos passageiros.
O hatch terá outras cinco versões à venda: Active, Active Pack, Allure, Sport e Griffe. Estranhou a penúltima opção? Pois é, também haverá uma versão “fantasiada” nas concessionárias com o mesmo motor 1.6 16V flex de 122 cv. Além disso, o atual motor 1.5 8V de 89 cv dará lugar a um novo 1.2 de três cilindros flex com 90 cv de potência que, segundo a marca, conquistará o título de motor mais econômico do país, atualmente em poder do VW up! TSI. A ver.
Vale a compra?
Sim. Quando chegar às lojas no início de maio, o 208 GT deverá custar entre R$ 75 mil e R$ 80 mil – uma estimativa revelada pela própria marca, que ainda não divulgou as cifras exatas –, um valor bem alto quando levamos em consideração que seu principal rival, o Sandero RS, parte de R$ 59.280. Ainda assim, o hot hatch da Peugeot é uma boa opção para quem busca um modelo divertido para guiar, mas não quer abrir mão do acabamento refinado. Um conselho? Visite uma concessionária Suzuki e peça para dirigir o Swift Sport R antes de assinar a compra, porque o japonês custa R$ 82.990.
Fotos: Peugeot 208 GT
Peugeot 208 GT
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Peugeot 208 GT
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 16V, comando duplo, turbo, injeção direta, flex
Cilindrada: 1.598 cm³
Potência: 173 cv a 6.000 rpm
Torque: 24,5 kgfm a 1.500 rpm
Câmbio: Manual de 6 marchas, tração dianteira
Direção: Elétrica
Suspensão: Indep. McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)
Freios: Discos ventilados (diant.) e discos sólidos (tras.)
Pneus: 205/45 R17
Dimensões: Compr.: 3,97 m; largura: 1,70 m; altura: 1,47 m; entre-eixos: 2,54 m
Tanque: 55 litros
Porta-malas: 285 litros (fabricante), 286 litros (aferido AE)
Peso: 1.196 kg
Testes de pista
Aceleração
0 - 100 km/h: 7,9 s
0 - 400 m: 15,6 s
0 - 1.000 m: 28,4 s
Vel. a 1.000 m: 184,3 km/h
Vel. real a 100 km/h: 96
Retomada
40-80 km/h (3ª m): 4,5 s
60-100 km/h (4ª m): 5,8 s
80-120 km/h (5ª m): 7,7 s
Frenagem
100 - 0 km/h: 40,0 m
80 - 0 km/h: 25,6 m
60 - 0 km/h: 14,4 m
Consumo
Urbano: Não aferido
Rodoviário: N/A
Média: N/A
Aut. em estrada: N/A









