Avaliação: dirigimos o novo Audi TT
Cupê chega com preços entre R$ 210 mil e R$ 230 mil, mas compensa largamente em beleza e prazer ao dirigir
Por Fernando Miragaya; do Rio de Janeiro
Lagoa Rodrigo de Freitas, nove horas de uma nublada manhã de quinta-feira. Um grupo embarca em um helicóptero e sobrevoa diferentes cartões postais da Cidade Maravilhosa. O destino, porém, não é nenhum outro ponto turístico carioca. O pouso acontece às margens da Via Lagos, que liga o Rio às famosas praias do Litoral Norte fluminense. Mas o cenário em terra tira tanto o fôlego como as paisagens naturais vistas lá de cima. Diante dos olhos, algumas unidades da nova geração do Audi TT prontas para serem testadas. Finalmente, o cupê desembarca no país com preços a partir de R$ 209.990, na versão Ambiente, e chega aos R$ 229.990, na topo de linha Ambition.
O estilo inconfundível da carroceria abaulada e toda musculosa do TT permanece, mas o carro está diferente. O modelo parece mais parrudo, apesar de manter seus 1,83m de largura. A explicação está nas linhas horizontalizadas da dianteira. Dois vincos no capô formam um “V” e convergem para a pontinha dos faróis. Estes têm cortes bem definidos e se espicham para as extremidades – um visual com clara inspiração no esportivo R8.
A tradicional grade trapezoidal ficou mais larga e baixa. No spoiler, as entradas de ar auxiliares, escurecidas e com desenho do tipo colmeia, estão maiores para dissipar melhor o fluxo da frente para as laterais. Na traseira, poucas mudanças. Ponteira dupla de escapamento mais centralizada (como no primeiro TT), lanternas horizontais e o filete de luzes cravadas na tampa do porta-malas que serve de brake light. Sem esquecer do aerofólio embutido, que pode ser acionado pelo motorista ou se elevar automaticamente quando o cupê passa dos 120km/h
O cupê 2+2 está basicamente com as mesmas dimensões da geração anterior, mas a Audi diz que o entre-eixos foi esticado em 3cm – no total, 2,50m. Números tímidos, ainda mais constatados quando se abre a porta e se rebate o banco do motorista. O espaço atrás continua cenográfico e só duas crianças cabem ali (mas, com certeza, elas vão ficar perguntando “já está chegando” com mais frequência que o habitual). O porta-malas também acomoda uns 15 litros a mais, segundo a marca alemã. Mas nem parece...
A questão é que levar a família ou mais do que duas pessoas não é a missão do TT. Trata-se de um cupê para se admirar e ser admirado, daqueles carros para curtir e se divertir. E põe diversão nisso! Tecla “start” acionada no painel e o ronco do motor reverbera deliciosamente grave pelo habitáculo do carro.
Fotos: Audi TT Coupé 2015 chega ao Brasil
Audi TT Coupé 2015
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Audi TT Coupé 2015
Dentro do TT, tudo é justinho e na medida certa para reforçar a sensação de esportividade. O banco é daqueles em que o corpo gruda, enquanto o novo volante tem ótima pegada. Os pedais ficam na posição perfeita e os comandos estão bem próximos das mãos, inclusive os da renovada central multimídia MMI. E as saídas de ar ganharam um desenho bastante sugestivo. Lembram turbinas, com os comandos individuais automáticos bem ao centro de cada peça.
Bacana mesmo é o novo quadro de instrumentos. Chamado de Virtual Cockpit, é todo eletrônico e até parece um simulador de vídeo game. O painel vem na forma de uma tela de 12 polegadas de alta definição – são 30cm de largura! – e pode ser configurado em dois modos de exibição. No mais tradicional, por assim dizer, velocímetro e conta-giros estão em primeiro plano. Mas estes instrumentos podem ficar menores para destacar o mapa do navegador GPS. Proporciona uma visualização mais segura e rápida.
No banco, a linha de cintura do carro fica na altura do pescoço, o que impõe uma aura de kart à situação. Resta acelerar para ver se toda esta beleza esportiva do TT corresponde à realidade. E sabe aquele som delicioso do motor quando ligado? Agradou, mas não revelou por completo o que a terceira geração do cupê tem de melhor: o modelo está mais voraz.
Pé no acelerador e o cupê sai em disparada em direção a São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos. Com 19 cv a mais (agora, são 230cv no total), o TFSI só reafirma toda a sua disposição. A seu favor, a renomada caixa automatizada S-Tronic de dupla embreagem garante as arrancadas com trocas ligeiras e divertidos “tranquinhos” entre uma mudança e outra de suas seis marchas. Mas o que pesa mesmo é o torque de 37,7 kgfm disponível por inteiro a 1.600 giros, 2,1 kgfm a mais que o antecessor.
A direção eletromecânica fica pesada e obediente, enquanto o velocímetro sobe de forma constante e vertiginosa. O TT devora o asfalto e o motorista é pego de surpresa quando o ponteiro mostra os 110 km/h permitidos na via. O cupê vai grudado no chão, com um equilíbrio que beira a perfeição. Nas retas, em alta velocidade, a comunicação com as rodas é certeira e não há qualquer flutuação. Nas curvas, o nível de inclinação da carroceria sequer é percebido.
O comportamento dinâmico exemplar é garantido por uma arquitetura moderna e que está sempre de “dieta”. O TT usa a tecnologia Audi Space Frame (ASF), com aplicação de aço de alta resistência. Nesta lógica de plataforma, também há farta distribuição de alumínio: no capô, portas, tampa do porta-malas, molduras do teto, soleiras e elementos da suspensão. Desta forma, o novo TT conseguiu emagrecer 50kg em relação ao modelo anterior – já são 140 kg perdidos desde a primeira geração.
A “sustentável leveza do ser” dá aquela ajuda na hora dos momentos brutos que este cupê requer. O TT vai a 60km/h de cruzeiro e ao enterrar o pé no acelerador, há até um delay na reação do motor. Mas o TSI trabalha otimamente em baixas rotações – o torque máximo está disponível já nas 1.600rpm. O turbo entra em ação, os ponteiros do painel ficam frenéticos e as costas do motorista grudam no encosto do banco.
A suspensão também contribui para a pegada mais arrojada do TT. Com uma calibragem rígida e curso curto, o jogo independente four link atrás tem a dose certa para manter o carro voando baixo. O problema é que as ruas daqui não seguem o padrão Fifa. E as costas dos ocupantes sofrem com os reflexos dos buracos no habitáculo.
A viagem de helicóptero até foi divertida, mas nem se compara ao êxtase que se pode alcançar ao administrar o Audi Drive Select. Todo este comportamento já arisco descrito sobre o TT se deu com o sistema na posição “Comfort”. O dispositivo atua na direção, nas reações do motor e do câmbio, na suspensão e até no funcionamento do ar-condicionado.
Na teclinha no painel, selecionamos o modo Dynamic e o carro fica do jeito que o Diabo gosta. O câmbio vai automaticamente para a função Sport e o conta-giros sobe exatas 1.000 rotações prontamente. A assistência elétrica da direção fica praticamente nula e o volante tem o peso digno de um esportivo.
No Dynamic, o motor só trabalha a partir de 3.00 rpm. Com isso, é pisar sem medo de ser feliz: o bicho responde imediatamente. As mudanças do S-tronic ficam bem mais espertas e o carro evolui na pista de forma mais agressiva. Nas poucas irregularidades da estrada é possível perceber que a suspensão bate mais seca. O aerofólio aparece no retrovisor e é sinal que já se está a 120 km/h. O carro devora o asfalto como na função “FF” de um filme em DVD. Aliás, FF é como chamam os carros de motor e tração dianteiros, caso do TT. Apenas o TT-S de 310 cv terá tração integral, porém desembarca apenas no final do ano.
O paraíso sobre rodas, contudo, tem um preço. O Audi Drive Select, assim como o sistema multimídia MMI (com reprodutor de DVD, GPS e memória interna de 10gb), o Virtual Cockpit (o quadro de instrumentos eletrônico) e o ar-condicionado automático só estão disponíveis na versão Ambition, que custa R$ 229.990.
Esta configuração topo de linha também ostenta rodas de liga leve com aros de 19 polegadas e o pacote de luzes que inclui os faróis de led e os piscas dinâmicos, sequência de lâmpadas que se acendem em sequência do centro para as extremidades das setas indicadoras de direção. São exatos R$ 20 mil a mais que a configuração de entrada Ambition.
Mas quando se parece estar nas nuvens (ou em uma corrida de video game), é difícil lembrar de preços. A propósito, a volta ao Rio foi a bordo de um helicóptero, e São Pedro resolveu mandar o sol de novo para contemplar a Cidade Maravilhosa. Um colega a bordo grita, exultante: “Olha o Pão de Açúcar, que lindo!”. Com a cabeça no test-drive e na belezura do TT, a resposta foi um breve e despretensioso “Ah, sim...”.









