Imponência ao som de trovão: testamos o Mercedes E 63 AMG
Não olhe para o céu. O estrondo que parece ter vindo lá de cima é emitido pelo V8 de 557 cv que está sob o capô do sedã alemão
Por Leandro Alvares
Um saboroso reacerto de contas. Foi dessa maneira que encarei o encontro com o belo e imponente Mercedes-Benz E 63 AMG no Brasil. Nos conhecemos no início de 2013, durante três voltas no seletivo circuito francês de Paul Ricard. Um contato rápido, mas suficiente para compreender os predicados da versão reestilizada do sedã esportivo, equipada com motor V8 biturbo de 557 cv. Mas foi somente aqui, em nossas terras, onde o modelo está sendo vendido por significativos R$ 575.406, que pudemos “conversar” melhor e explorar seu poderio.
No breve “bate-papo” que tivemos na pista europeia não foi possível ter a devida noção do delicioso ronco do propulsor 5.5 a gasolina, ministrado pelas estilosas saídas do escapamento. É um berro forte e semelhante ao som de um trovão. Não à toa, olhei algumas vezes para o céu para saber quem de fato estava dando sinal de vida – era sempre a máquina alemã, para a minha alegria e de quem o via passar pelas ruas.
Tão sedutor quanto o rugido da fera é sua capacidade para acelerar. Logo aos 1.750 rpm surgem os 73,4 kgfm de torque, que se mantêm constantes até os 5.250 giros. O câmbio automático de sete marchas e dupla embreagem efetua trocas rápidas como um relâmpago, acompanhadas por uma pancada saudável, tratando-se de um modelo superesportivo.
A competência do conjunto fica evidente nos números de teste. De 0 a 100 km/h, foram necessários 4,6 segundos, uma marca respeitável, mas longe dos 3,7 s anunciados pela fabricante. Impressionante mesmo é a desenvoltura do sedã de quase duas toneladas nas retomadas de velocidade. Tanto nas aferições de 40 a 80 km/h quanto nas de 60 a 120 km/h, o cronômetro cravou 2,4 s.
Outra virtude do E 63 é o alto nível de estabilidade, graças à tração integral. Para não decepcionar os fãs de velocidade e agradar os conservadores, a Mercedes distribuiu a força enviada para os eixos. Vão para o de trás, 67%, e para o da frente, 33%. Mas não pense em abusar da sorte. Se exagerar a dose em uma curva, o sobre-esterço da direção elétrica (bem calibrada, por sinal) e as habilidades do motorista serão necessários.
NÚMEROS DE TESTE Aceleração
(segundos)0-100 km/h4,6 s0-400 metros12,7 sRetomada
(segundos)40-80 km/h2,4 s60-100 km/h2,4 s80-120 km/h2,7 sFrenagem
(metros)100 km/h3,7 m80 km/h27,8 m60 km/h17,6 m
Como os demais modelos preparados pela divisão esportiva da Mercedes, os comandos localizados à esquerda da pequena alavanca do câmbio são um convite para emoção e conforto. Há um seletor para quatro modos de condução (Comfort, Sport, Sport + e Manual) e três botões: um para desabilitar o controle de estabilidade e de tração, outro para dosar o nível de rigidez das suspensões independentes e outro com a sigla AMG, que guarda a configuração sob medida do condutor – modo manual, suspensões firmes e controle de tração ligado, por exemplo. Para a alegria dos puristas, a opção manual respeita 100% o seu nome. Ao atingir o corte de giro, a eletrônica não intervém e cabe ao motorista fazer a troca de marcha pelas belas aletas prateadas atrás do volante.
Na cabine, a mescla de luxo e esportividade é evidente. Há bancos de couro envolventes e com comandos elétricos, volante de base reta com acabamento de couro, sistema de aquecimento dos assentos, relógio analógico no centro do console, tela multimídia com GPS e monitores de cabeça para os passageiros do banco de trás. Só a conexão com TV que faz falta. As telas permitem apenas a reprodução de DVDs.
Espaçoso, o E 63 AMG acomoda quatro adultos com amplo conforto. O nível de maciez é reduzido um pouco ao se deparar com buracos. Afinal, trata-se de um modelo com acerto mais firme e calçado com arrojadas rodas de aro 19. Para as bagagens, no entanto, a queixa é zero, graças aos bons 540 litros de capacidade do porta-malas, que fecha sozinho ao pressionar um botão.
Quanto ao consumo, um V8 de 557 cv dá a deixa de que o Mercedes é beberrão. Mas isso está longe de ser um inconveniente para quem gasta quase R$ 600 mil em um carro. Mesmo assim, a média de 13,2 km/l na estrada espanta de tão boa. Já na cidade não há surpresas: o E 63 AMG faz 4,2 km/l mesmo com o start-stop acionado. Minha sugestão? Desligue o sistema e acelere mais forte para se deliciar com o rugido do trovão.









