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Mobilidade

Por Thiago Tanji

Por enquanto, não é totalmente verdadeira a afirmação de que carros equipados com baterias e motores elétricos são os melhores amigos do meio ambiente. Afinal, não basta zerar a emissão de poluentes se a fonte para abastecer o carro também não é limpa: na Alemanha, por exemplo, cerca de 35% da eletricidade ainda é produzida com a queima de combustíveis fósseis. É quase como trocar seis por meia dúzia.

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Diante disso, pesquisadores e empresas têm recorrido à mais antiga fonte energética conhecida pela humanidade, disponível em abundância na maior parte do mundo e completamente renovável — pelo menos até daqui a cinco bilhões de anos, quando a estrela do Sistema Solar iniciará seu processo de extinção. Graças a novas tecnologias, a obtenção de energia solar captada por meio de placas fotovoltaicas está mais barata e eficiente. E pode até ser instalada em um veículo.

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É isso que propõe a empresa holandesa Lightyear, que está desenvolvendo um carro elétrico coberto de painéis solares por todo o teto e capô. São cinco metros quadrados de placas que captam a energia do sol e adicionam 12 quilômetros de autonomia por hora.

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A melhora na eficiência também terá reflexo na autonomia, tornando possível percorrer 725 km (de acordo com o ciclo WLTP) com apenas uma carga. O sedã, batizado de Lightyear One, será apresentado em 2021 e já pode ser encomendado por 149 mil euros — ou mais de R$ 950 mil na atual cotação.

 — Foto: Divulgação
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Mas enquanto esse protótipo não é colocado à prova, soluções mais simples já vêm sendo aplicadas. No Brasil, a empresa Alsol inaugurou neste ano o primeiro sistema de recarga de veículos elétricos que tem origem exclusiva na energia solar.

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Segundo Gustavo Buiatti, fundador da companhia especializada em energias renováveis, as placas fotovoltaicas estão mais baratas e tiveram sua eficiência aumentada. Além disso, o tamanho necessário para a instalação diminuiu. Disponível na cidade mineira de Uberlândia, sede da Alsol, a recarga de veículos elétricos com energia solar já conta com clientes como a Coca-Cola.

“Temos carregadores distribuídos pela cidade e duas usinas fotovoltaicas no perímetro urbano, o que garante que o lastro de energia seja 100% sustentável”, afirma Buiatti. A empresa também está realizando estudos para a implantação de um eletroposto móvel, com um caminhão elétrico equipado com baterias com capacidade de 200 kwh — o suficiente para completar a carga de cinco Chevrolet Bolt. Tudo isso proveniente da energia solar captada pelas placas.

Sediada na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, a empresa Alsol carrega as frotas de veículos elétricos com  energia solar  — Foto: Divulgação
Sediada na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, a empresa Alsol carrega as frotas de veículos elétricos com energia solar — Foto: Divulgação

Em 2019, 83% da oferta de energia elétrica no Brasil veio de fontes renováveis, muito por conta das hidrelétricas, responsáveis por mais de 78% dessa participação. Por ora, a luz solar contribui com apenas 1,2% da produção de energia. Mas, que o diga o apagão que deixou o estado do Amapá por mais de 20 dias sem luz, é necessário reforçar a rede elétrica do país. Se possível, com a contribuição do sol.

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