Famosos táxis pretos de Londres podem sumir com a pandemia
Motoristas fazem campanha e pedem ajuda do governo, mas ainda não tiveram reinvindicações atendidas; corridas chegaram a cair 96% nos meses mais críticos
Por Thais Villaça
Tão reconhecíveis quanto os ônibus dois andares ou as cabines telefônicas, os táxis pretos são ícones da cidade de Londres, na Inglaterra. Mas a pandemia de Covid-19 pode ameaçar esse símbolo nacional.
Segundo a Licensed Taxi Drivers Association (LTDA), associação que representa os motoristas dos famosos veículos, nos últimos quatro meses (de junho a outubro) uma média de 156 táxis pretos se descredenciaram do trabalho por semana, totalizando 3.500 unidades a menos nas ruas da capital inglesa no período.
Como comparação, entre junho de 2019 e maio de 2020 - ou seja, já contabilizando os meses mais críticos da pandemia - apenas 699 táxis foram descredenciados. Agora restam pouco mais de 15 mil veículos na frota, ainda um número razoável, mas com tendência a queda.
Para evitar esse declínio acentuado, a associação lançou a campanha “Motoristas de Táxi Não Podem Trabalhar de Casa”. O objetivo é chamar a atenção para o impacto devastador na categoria e pedir ajuda financeira ao governo britânico, evitando a falência dos motoristas e o fim derradeiro dos táxis pretos londrinos.
Em entrevista ao jornal Daily Mail, o secretário-geral da LTDA, Steve McNamara, afirmou que os associados não têm a quem recorrer e estão sendo forçados a deixar as ruas. “Cada veículo descredenciado representa o fim do sustento de um motorista. Sem intervenção urgente, os táxis pretos poderão acabar para sempre.”
Ele também defende um relaxamento do lockdown — uma nova quarentena começou nesta semana no país para conter a chamada “segunda onda” da doença —, já que se os motoristas não podem trabalhar de casa, também não conseguem se manter caso todo o restante da população fique em casa.
“Pode parecer óbvio, mas é uma constatação simples que os policiais parecem não entender. Não é um problema só de Londres, motoristas de táxi em todo o país estão enfrentando o mesmo desafio”, diz.
A LTDA afirma que a demanda de passageiros nos carros pretos colapsou durante a primeira fase do lockdown. A recuperação mal havia começado quando essas novas restrições foram impostas na última semana pelo primeiro-ministro Boris Johnson.
Estatísticas mostram que os motoristas que trabalham na região do aeroporto de Heathrow (o mais movimentado de toda a Europa) registraram queda nas corridas de 96% nos meses de abril, maio e junho. Em julho essa queda diminuiu para 90% e chegou a 83% em agosto e setembro - ainda assim números bastante expressivos.
“Outros setores como os de hotelaria ou demais operadores de transporte receberam pacotes de incentivo financeiro para ajudá-los a superar os meses de dificuldade a frente, mas os taxistas foram esquecidos”, aponta McNamara.
“Pedimos ao governo e ao prefeito de Londres que intervenham para proteger os motoristas da ruína e garantir que os táxis pretos, parte fundamental da rede de transporte da cidade, sobreviva a essa crise, mas até agora nossos apelos não foram ouvidos”, conclui o secretário-geral.
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