Caoa Chery quer 'herdar' lojas Ford para se manter no top 10 do mercado brasileiro
Em agosto, fabricante alcançou um inédito oitavo lugar entre as marcas
Por André Paixão
Nas últimas semanas, a Caoa Chery tem exibido comerciais na TV aberta nos quais se vangloria de ter superado a Chevrolet nas vendas. A informação é verdadeira. Mas precisa ser colocada em contexto.
Em agosto, a Caoa Chery emplacou 4.717 automóveis, ocupando a oitava colocação entre as fabricantes do mercado brasileiro. Nesse mesmo período, a Chevrolet, líder de vendas dos últimos anos, vendeu apenas 4.121 unidades, ficando uma posição abaixo.
É a primeira vez na história que isso acontece e, certamente, dá motivos para a fabricante sino-brasileira celebrar. Porém, essa estatística não inclui a venda de comerciais leves, recorte utilizado amplamente pela indústria.
Como não tem veículos do tipo, a Caoa Chery mantém as pouco mais de 4,7 mil unidades vendidas em agosto. Já a Chevrolet, com a inclusão da picape S10, salta para 8,9 mil exemplares emplacados em no mesmo mês.
Além disso, os maus resultados da Chevrolet podem ser explicados pela falta de veículos nas lojas. A empresa tem sofrido com a escassez de semicondutores – a produção do Onix, modelo mais popular do país desde 2015, ficou parada entre abril e agosto.
A Caoa Chery, que não tem nada a ver com isso, aproveitou a ocasião pouco usual para comemorar. Mas a estratégia de crescimento da empresa está relacionada com uma outra fabricante norte-americana: a Ford.
De Ford para Caoa Chery
Para sustentar um lugar entre as 10 marcas que mais vendem no Brasil, além de novos produtos, a Caoa Chery quer aumentar sua rede de concessionárias. No caminho oposto está a Ford, que, após o anúncio sobre o fechamento das fábricas brasileiras e a diminuição da linha de produtos, reduziu o número de pontos de venda de 283 para 110.
Assim, se há “oferta” de concessionárias Ford, existe a “demanda” de lojas da Caoa Chery.
"Abrimos dois pontos de venda que eram da Ford nas cidades de Praia Grande e Guarujá. Antes, nossa única concessionária na região era em Santos", conta Tai Kawasaki, gerente comercial da Caoa Chery.
E essas não serão as únicas lojas que devem "virar a casaca". "É uma questão de ajuste. Haverá outros casos, principalmente no interior de São Paulo. Sempre que existir a oportunidade, vamos buscar fechar negócio", concluiu o executivo.
Um facilitador nas negociações é que o Grupo Caoa era um dos maiores revendedores Ford no Brasil. Mas Kawasaki afirma que a empresa também está de olho em outras redes.
O resultado é que a rede da Caoa Chery já é maior que a da Ford. São 126 pontos de vendas espalhados pelo Brasil contra 110 da centenária fabricante norte-americana. Até o fim do ano, a expectativa é chegar a 150 lojas.
Ofensiva de produtos
Para continuar crescendo, a fabricante deve entrar em segmentos inéditos. Segundo o portal iG, a marca vai lançar uma picape intermediária a partir de 2023 para concorrer com a Fiat Toro e as futuras Chevrolet Montana e Ford Maverick.
Além da picape, a marca ainda deve trazer ao Brasil as versões Pro de Tiggo 7 e Tiggo 8, repetindo a estratégia adotada com a dupla Tiggo 2 e Tiggo 3X de oferecer uma variação mais refinada de um modelo existente.
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