Chevrolet Tracker LT 1.0: primeiras impressões
Versão mais barata do modelo com câmbio automático anda bem e é econômico, mas por pouca diferença é possível levar uma versão mais potente (mas menos equipada).
Por G1
As versões 1.0 turbo do novo Tracker parecem ter ficado esquecidas no mercado brasileiro. Isso porque, assim como em outras marcas, a Chevrolet apostou na estratégia de priorizar a divulgação e as vendas das configurações mais caras do SUV durante o lançamento.
De acordo com a consultoria Jato, das 7.489 unidades vendidas de março a julho (excluindo a versão voltada para pessoas com deficiência), apenas 17% tinham essa motorização. Enquanto isso, 62% foram da configuração mais cara Premier, com motor 1.2 turbo, já avaliada pelo G1.
Se por um lado o plano ajuda a sofisticar a imagem do modelo e atrair compradores com maior poder aquisitivo para a marca, também pode acabar deixando as versões mais em conta ofuscadas.
É o caso do Tracker LT, configuração mais barata da linha equipada com câmbio automático, avaliada aqui pelo G1 e oferecida a partir de R$ 95.890.
Motor de Onix vai bem
A versão LT é equipada exatamente com o mesmo conjunto das versões mais caras do Onix, ou seja, motor 1.0 turbo de três cilindros com 116 cv de potência e até 16,5 kgfm de torque. O câmbio é automático de 6 marchas.
Caso você tenha feito algum tipo de careta ao imaginar o motor de um hatch compacto empurrando um SUV, não se preocupe. Enquanto o Onix Premier pesa 1.118 kg, o Tracker LT chega a 1.228 kg, uma diferença pequena se considerados os portes de cada um.
Na prática, o Tracker 1.0 não passa sufoco. O SUV vai bem em acelerações, retomadas e ultrapassagens, e desenvolve velocidade sem muito esforço e necessidade de que seja exercida grande pressão sobre o pedal do acelerador — este, por sinal, bem sensível.
Também se engana quem pensa que pode faltar potência para pegar uma estrada com o modelo. Ele acelera e se mantém em velocidades mais altas melhor do que muito 1.6, sem perder o fôlego em elevações.
Segundo a GM, o Tracker 1.0 automático chegou a médias de consumo de 13,7 km/l na estrada e 11,9 km/l na cidade com gasolina, e 9,6 km/l na estrada e 8,2 km/l na cidade com etanol.
Na cidade, porém, a transmissão nem sempre ajuda. O câmbio se mostrou confuso em algumas situações, em muitas segurando marchas de forma desnecessária. Acaba sendo preciso se acostumar com ele — o que não deveria acontecer, já que estamos falando de um câmbio automático.
Silêncio: suspensão trabalhando
Além de herdar do "irmão" menor o conjunto de motor e câmbio, o Tracker também buscou nele a inspiração para o acerto de direção e suspensão, trazendo seus prós e contras.
O lado bom vem pela direção elétrica leve e direta, que dá precisão e segurança em locais com curvas mais fechadas.
A suspensão é confortável e garante a estabilidade do modelo, mas invade o lado dos contras com o acerto mais rígido que faz com que os ocupantes sintam o impacto de buracos um pouco mais fundos. Além disso, somado ao isolamento acústico que fica a desejar, é possível ouvir a suspensão trabalhando a todo momento.
Menos nem sempre é mais
Mesmo sendo a versão mais em conta com câmbio automático em toda a linha, o Tracker LT custa nada baratos R$ 95.890. Por isso, o interior do modelo merecia um capricho a mais.
Assim como nas portas, o painel do SUV tem peças bem encaixadas e materiais de boa aparência. Com exceção de apliques prateados nas saídas de ar, no volante e no console central, e de cromados na central multimídia e nos comandos do ar-condicionado, o restante é preto fosco. Os bancos, de tecido, são bonitos e confortáveis.
A parte central do painel até recebe uma textura diferente, mas é de plástico rígido. O volante também não tem nenhum revestimento macio, tornando sua pegada grosseira. Apenas os painéis das portas recebem um material de toque emborrachado.
No geral, a sensação é de que falta refinamento para um modelo de quase R$ 100 mil.
No quesito espaço interno, o Tracker fica na média da concorrência e oferece boa acomodação das pernas para quem vai atrás. Caso três pessoas precisem ocupar o banco traseiro, o problema talvez fique para os ombros. Pelo menos, os ocupantes terão à disposição duas saídas USB.
Já o porta-malas, de 393 litros, é maior que o dos principais rivais T-Cross (373 l) e Renegade (320 l). Mas perde para HR-V, Creta e Kicks (todos na casa dos 430 l).
Somente o necessário
Como manda o figurino de uma configuração de entrada, a lista de equipamentos não enche os olhos com itens inovadores ou tecnologias modernas para você mostrar para o seu vizinho. A grande aposta do modelo é, porém, na segurança.
De série, a versão LT é equipada com 6 airbags, controle eletrônico de estabilidade e tração, luz de condução diurna em LED, lanterna de neblina traseira, assistente de partida em rampas, sensores de estacionamento traseiros, alarme e os obrigatórios ABS e Isofix.
A lista segue com ar-condicionado (que não é digital), chave presencial, faróis com ajuste de altura (mas sem função de acendimento automático), piloto automático, start-stop, Wi-Fi integrado e central multimídia com tela de 8 polegadas, e conexão com Android Auto e Apple CarPlay. Não há equipamentos opcionais.
Por fora, a configuração é caracterizada pelas rodas menores, de 16 polegadas, com pneus 215/60. Ao contrário da opção de entrada com câmbio manual, a LT recebe apliques cromados na grade dianteira, barra de teto prata, retrovisores e maçanetas na cor da carroceria.
Por falar em cores, a da unidade avaliada é a única que sai de fábrica sem nenhum acréscimo de valor: a Azul Eclipse. Além dela, por R$ 750, há o Branco Summit sólido e, por R$ 1.600, opções metálicas como Prata Switchblade, Cinza Satin Steel, Preto Ouro Negro e Vermelho Chili.
Conclusão
A versão automática mais barata da linha mostra justamente a que veio por sua simplicidade, mas não dá para dizer que comete grandes gafes no pacote de equipamentos. Ela tem tudo o que é necessário, além de um conjunto mecânico bem acertado e eficiente.
Porém, se você abre mão de câmera de ré, chave presencial e detalhes de aparência, como grade cromada, maçanetas e retrovisores na cor do carro e rack de teto prateado, vale a pena pensar na versão imediatamente acima.
A 1.2 Turbo custa R$ 500 a mais. Ela dispensa esses itens (que podem ser comprados como acessórios na concessionária), mas vem com o motor 1.2 turbo de 133 cv.
A diferença de potência pode parecer pequena, mas dá uma dose extra de fôlego ao Tracker, descolando o SUV do Onix. Além disso, é mais fácil comprar o 1.2 e investir nas diferenças visuais e de equipamentos como acessórios do que comprar o 1.0 mais completo e depois pensar em trocar de motor.
Escolha pelo 1.2 Turbo pode ser uma compra mais racional — a não ser que você tenha mais R$ 10 mil e possa investir na versão LTZ, que custa R$ 106.490.