Fiat Chrysler desiste de fusão com a Renault

Fabricante ítalo-americana cita falta de 'condições políticas na França' para retirar proposta. Mais cedo, governo francês havia pedido para adiar tomada de decisão sobre acordo.

Por G1


Fiat Chrysler apresenta proposta de fusão à Renault — Foto: Loic Venance/Marco Bertorello/AFP

A Fiat Chrysler (FCA) desistiu da proposta de fusão com a Renault. A empresa ítalo-americana divulgou um comunicado na noite desta quarta-feira (5), confirmando a decisão.

Na carta, a Fiat Chrysler afirma que o acordo tinha sido pensado com "termos cuidadosamente equilibrados para oferecer benefícios substanciais a todas as partes".

No entanto, culpou o governo francês pela não concretização do negócio. "Tornou-se claro que as condições políticas na França não existem atualmente para que essa combinação prossiga com sucesso", disse o comunicado.

A empresa ainda agradeceu ao Grupo Renault, seu presidente, e as fabricantes Nissan e Mitsubishi.

Segundo a agência Reuters, a decisão teria sido tomada após o governo francês, dono de 15% da Renault, ter pedido para adiar a decisão sobre a união das empresas para poder consultar a Nissan, empresa com quem a Renault tem aliança.

Mais cedo, nesta quarta-feira, uma reunião de mais de seis horas de duração foi realizada pela diretoria da Renault.

Após o encontro, a empresa divulgou um comunicado, confirmando que continuava interessada no negócio, mas que "não pôde tomar uma decisão devido ao pedido expresso dos representantes do estado francês para adiar a votação para um conselho posterior".

Em nota, o Grupo Renault disse ter visto a abordagem da FCA como oportuna e construtiva, além de encarar como um reconhecimento da atratividade da Renault e da aliança com as japonesas Nissan e Mitsubishi.

"Estamos satisfeitos com a abordagem construtiva da Nissan e queremos agradecer à FCA por seus esforços e ao Conselho de Administração da Renault por sua contínua confiança", apontou a empresa.

Curiosamente, o governo francês já havia declarado apoio à fusão, sob a condição de preservar empregos e locais industriais franceses, proteger a aliança com a Nissan e assinar um projeto europeu de fabricação de baterias.

Fusão entre FCA e Renault formaria nova 'gigante' do setor automotivo — Foto: Rodrigo Sanchez/G1

Como seria a fusão

A proposta da FCA foi unir as empresas, em um negócio de US$ 35 bilhões, resultando em um grupo formado com 50% de participação para cada lado.

Com a possível fusão, o novo grupo seria a terceira maior fabricante do mundo, juntando forças para enfrentar os desafios da indústria de montagem, incluindo regulamentação de emissões pesadas, eletrificação de veículos, conectividade e autonomia de direção.

Quem é dono de quem?

A Nissan não é dona da Renault, nem vice-versa. Porém, são mais do que parceiras: as duas montadoras têm parte das ações uma da outra, mas nunca houve uma fusão.

Por isso se identificam como uma aliança, diferente do Grupo Volkswagen e da Fiat Chrysler (FCA), donos das marcas que estão sob seus respectivos "guarda-chuvas", como Audi e Porsche, no caso da Volks, e Jeep e Ferrari, da FCA.

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