Teste: Fiat Toro Freedom tem motor e itens de Compass, mas a experiência no volante é totalmente diferente
Versão intermediária traz o novo motor 1.3 turbo, lista de equipamentos recheada e mira o custo/benefício
Por Raphael Panaro
Se você procura uma picape compacta-média, não tem muita escolha: fica entre a remodelada Fiat Toro e a espartana Renault Oroch. Ou seja, resta só definir qual versão levar para casa. A Freedom pode ser uma boa pedida, com o novíssimo motor 1.3 turbo e uma bela dose de equipamentos de série.
A configuração intermediária custa R$ 144.190, quase R$ 12 mil mais cara que a de entrada, Endurance (R$ 132.990). Porém, são R$ 14 mil de diferença para a Volcano (R$ 158.290), topo da gama. Será que esse equilíbrio vale a pena?
Neste ano, a Fiat deixou a Toro ainda mais atrativa, especialmente com a estreia do 1.3 turboflex. A picape foi o primeiro modelo da Stellantis com o novo motor que pude experimentar. Inicialmente, confesso que demorei para achar os 185 cv e 27,5 kgfm de torque prometidos.
Só depois de testar o novo Jeep Compass (também equipado com esse propulsor) entendi que a proposta da picape é totalmente diferente. A Fiat optou por uma calibração mais comedida do acelerador eletrônico em comparação à de outros modelos, como a do próprio Compass.
Existem duas formas de atenuar essa percepção na Toro: o modo Sport, que diminui o lag do pedal e deixa o câmbio automático de seis marchas mais ágil, e as aletas atrás do volante para efetuar as trocas manualmente e avivar o desempenho.
É preciso pisar fundo para encontrar os números da ficha técnica. O torque máximo aparece em menos de 2 mil rotações, mas a sensação de ter menos força continua. O pedal mais arisco, (novamente) como o do Compass, faz o SUV acelerar de forma exponencial — eu diria até esportiva.
Digo sensação porque, em nossa pista de teste, a Toro T270 acelerou de zero a 100 km/h em menos de 10 segundos — 9,5 s para ser exato. Um excelente número diante dos eternos 14,4 s da picape anterior, cujo motor era o 1.8 flex. O consumo também melhorou, mas não impressiona: razoáveis 6,7 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada com etanol.
Sem opcional
Já a dinâmica permaneceu intacta. E isso é um bom sinal. Como nós jornalistas gostamos de dizer, a Toro parece um carro de passeio. É dócil no dia a dia, traz itens de conforto e uma boa pitada de tecnologia. A suspensão tem ajuste firme para encarar também o fora de estrada, mas não prejudica muito o uso na buraqueira das cidades.
Você volta a lembrar de que se trata de uma picape na hora de manobrar (em locais estreitos) e estacionar os 4,94 metros de metal. O diâmetro de giro, que baixou de péssimos 11,9 m (versão antiga) para ruins 11,2 m (atual modelo) graças ao aumento de 5 mm de bitola, dificulta o convívio urbano.
Apesar de ser uma versão intermediária, a Toro Freedom vem com boa lista de equipamentos. Destaque para o painel de instrumentos digital de sete polegadas, com interface moderna e recheado de informações, e a multimídia com tela de 8,4", que não chega a ser tão impressionante quanto a vertical de 10,1" vendida como opcional na versão mais cara, mas traz recursos como Apple CarPlay e Android Auto sem a necessidade de cabos. A central é intuitiva, rápida nas respostas, tem boa resolução e dá conta do recado.
A Toro Freedom ainda incorpora bloqueio do diferencial, ar-condicionado digital de duas zonas, capota marítima, três entradas USB (duas na frente e uma atrás), câmera de ré, faróis full LED e rodas de liga leve de 17" como itens de série.
Quanto à segurança, a versão não traz a frenagem automática de emergência (nem em pacote opcional), mas tem seis airbags, assistente de partida em rampa, sensor de pressão dos pneus e controles eletrônicos de estabilidade e de tração.
Itens como carregador de smartphones por indução, airbag para o joelho do motorista, rodas de 18", banco do motorista com ajustes elétricos, chave presencial, sensor de estacionamento dianteiro e conexão com internet (paga à parte) ficam restritos à versão R$ 14 mil mais cara. Na linha 2022, a Toro Freedom não oferece pacotes opcionais.
Já no visual a picape muda pouco. A dupla de frisos cromados na grade dianteira divide opiniões. Atrás, as laternas são as mesmas de antes. Como uma boa picape, a Toro Freedom aguenta o tranco e consegue levar até 750 kg de carga; a caçamba tem capacidade para 937 litros.
Ainda vai demorar um pouquinho, mas o domínio da Fiat Toro no segmento será posto à prova em 2022 com a chegada de fortes concorrentes, como a Ford Maverick e, principalmente, a repaginada Chevrolet Montana. Ambas devem ser lançadas no primeiro semestre. Aí a liberdade de escolha não será somente de configurações, e sim de picapes.
Fiat Toro Freedom
| Teste |
| ACELERAÇÃO |
| 0 - 100 km/h: 9,5 segundos |
| 0 - 400 m: 16,7 s |
| 0 - 1.000 m: 30,5 s |
| Veloc. a 1.000 m: 172,4 km/h |
| Vel. real a 100 km/h: 96 km/h |
| RETOMADA |
| 40 - 80 km/h (Drive): 4,3 s |
| 60 - 100 km/h (D): 5,2 s |
| 80 - 120 km/h (D): 6,7 s |
| FRENAGEM |
| 100 - 0 km/h: 40,7 m |
| 80 - 0 km/h: 25,9 m |
| 60 - 0 km/h: 16,4 m |
| CONSUMO |
| Urbano: 6,7 km/l |
| Rodoviário: 10,8 km/l |
| Média: 8,7 km/l |
| Aut. em estrada: 594 km |
Fiat Toro Freedom
| Ficha técnica |
| Preço: R$ 144.190 |
| Motor: Diant., transv., 4 cil. em linha, 1.3, 16V, turbo, injeção direta, flex |
| Potência: 180 cv/185 cv a 5.750 rpm |
| Torque: 27,5 kgfm a 1.750 rpm |
| Câmbio : Automático, seis marchas, tração dianteira |
| Direção: Elétrica |
| Suspensão: Indep. McPherson (diant.) e multilink (tras.) |
| Freios: Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.) |
| Pneus: 225/60 R17 |
| Tanque: 55 litros |
| Caçamba: 937 litros (750 kg) |
| Peso: 1.658 kg |
| Central multimídia: 8,4 pol., Apple CarPlay e Android Auto (sem fio) |
| DIMENSÕES |
| Comprimento: 4,94 metros |
| Largura: 1,84 m |
| Altura: 1,74 m |
| Entre-eixos: 2,99 m |
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