Teste: Chevrolet Joy Plus é boa compra, mas só se você não conhecer o novo Onix Plus

Sedã popular agrada em alguns quesitos, porém, tem preço próximo demais do novo Onix Plus

Por Julio Cabral


Chevrolet Joy Plus tem versão Black com detalhes pretos (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

O Chevrolet Joy Plus sofre o mesmo problema do hatch Joy: ficar próximo demais dos carros de nova geração em preço. Ainda mais se a configuração comparada for a Black. O acabamento escurecido e detalhes internos faz o preço do sedã passar de R$ 53.950 para R$ 54.690, apenas R$ 2.300 de diferença em relação ao novo Onix Plus.

Aproveitando que estou com a calculadora na mão, faço uma conta rápida e vejo que são apenas 4% de separação, menos da metade de uma taxa de serviço padrão (10%). Seria uma gorjeta a mais. Algo que pode ser resolvido com negociação de concessionária, uma vez que encontrei descontos até mesmo para a nova linha Onix. 

Câmbio de seis marchas do Joy Plus garante bom desempenho (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte


É esquisito usar o texto de um carro para falar de outro, porém, vale reforçar: o novo Onix é bem diferente do Joy. Tem desempenho melhor, consumo mais frugal, espaço interno amplo e, claro, uma perspectiva de durar muito mais tempo no mercado, uma vez que o antigo sedã testado não tem controle de estabilidade, item que será exigido para carros antigos até o final de 2021.

O novo não apenas tem o ESP, como também dispensa os seis airbags do seu sucessor. E ficou com nota de cinco estrelas para adultos e crianças no LatinNCAP, contra três estrelas para ambos do antigo (teste do Onix hatch).


O preço desencorajante o torna uma opção mais interessante para frotistas, beneficiados por descontos. O senão é que o motorista mais consciente pode levar um Ford Ka sedã para casa, um modelo que conta com a opção do controle de estabilidade e de tração. Bem, deixa eu colocar a calculadora de lado e apelar para os sentidos.

O Joy Plus não parece um carro depenado. Há luz de posição de LEDs nos faróis (não servem como luz de rodagem diurna). As rodas aro 15 com pneus 185/65 R15 têm calotas escurecidas. O preto chega até ao símbolo da gravatinha e têm acabamento brilhante na grade e retrovisores.

A cabine se difere pelo volante com detalhe no mesmo tom e bancos com revestimento misto de tecido e courvin. Se comparado ao modelo básico, a versão vale a pena. 

Os bancos em tecido e couro artificial dão uma incrementada na cabine e são confortáveis (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Bastou entrar para reviver um dos detalhes mais incômodos: a posição de dirigir muito alta. A configuração tem ajuste de altura do banco do motorista, entretanto, mesmo com o assento no ponto mais baixo, a minha cabeça fica a três dedos de distância do teto. Me sinto quase em um crossover.

Pelo menos os bancos envolvem bem e dão bom suporte para a lombar, embora tenham assentos um pouco curtos para pessoas acima de 1,80 m. Ao contrário do novo modelo, a coluna de direção tem ajuste só de altura. Tenho que escolher qual serão os membros que sofrerão com isso, as pernas ou os braços.

E os vidros elétricos passaram das portas para botões próximos da alavanca de câmbio. Sem iluminação, os comandos são encontrados à noite por tato. E não são um toque.

Lembra daquela época em que os Chevrolet trancavam na chave e subiam os vidros? Isso não vai acontecer no Joy Plus, até porque não os vidros traseiros dependem de manivelas. O novo Onix Plus tem tudo isso.

Há pontos positivos. A direção elétrica é macia como travesseiro. O câmbio F17-6 de seis marchas tem engates curtinhos e igualmente leves. É a caixa a grande responsável por deixar o motor 1.0 cheio de energia.

O quatro cilindros tem respostas em médios e altos regimes, mas as primeiras marchas curtinhas ajudam nas arrancadas. A medição de zero a 100 km/h foi vencida em 14 segundos e a retomada de 60 a 100 km/h, em 12,8 s. Comparados a outros sedãs 1.0 aspirados, os números são bons.

Não estranhe a tampa preta: a central multimídia é opcional (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Na estrada, a sexta marcha longa garante que o motor gire a 3.250 rpm a 120 km/h, um patamar de rotação baixa para um 1.0 aspirado. O consumo na estrada ficou em bons 11,4 km/l de etanol. Entretanto, poderia ser melhor na cidade, onde o Joy Plus marcou 8,6 km/l. 

Andamos com o carro carregado com três pessoas e bagagem. Nessa situação, uma redução para quarta será necessária em subidas, até mesmo as leves. Porém, não é nada que seja particular do Joy Plus, mas uma realidade do segmento.

Somado a isso, o carro é agradável de dirigir e tem espaço interno é bom para pessoas e bagagens. O acabamento interno é bom para a classe. Os plásticos não parecem baratos quando a luz do sol bate. E a textura é agradável. Apenas os encaixes de algumas peças desagradou. 

Há outras qualidades. O rodar é confortável, com bom isolamento de imperfeições e qualidade de rodagem decente. Os pneus estão bem dimensionados para o desempenho e têm largura igual ao conjunto de alguns 1.0 turbo mais modernos.

O Joy Plus é estável e previsível, no que ajudou a diminuição de um centímetro na altura de rodagem e a recalibração da suspensão na ocasião da reestilização do Onix e do Prisma. 

Com a central multimídia, o interior fica um pouco melhor (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Quanto aos itens, há os triviais ar, vidros e travas elétricos, alarme, chave canivete, banco rebatível, além dos já citados. Cadê o MyLink? Só há central multimídia genérica como acessório.

Por mais que a tela exiba uma animação com o nome do carro, a verdade que ela deixa claro que é um equipamento de pós-venda na hora. As teclas pequenas são prova disso, tal como os gráficos muito datados. O único consolo é a TV digital (só funciona com o carro parado). Vale lembrar que o Onix Plus LT aspirado vem com o MyLink.

É mesmo caso dos retrovisores elétricos e sensor de estacionamento, os outros dois equipamentos de concessionária. Com eles, o preço passa de R$ 57 mil em lojas pesquisadas.

Acho que neste momento da vida, os carros deveriam vir mais completos para incrementar o custo-benefício. O Joy Plus não faz isso e ainda tem o Onix Plus para atrapalhar sua vida.

Teste

Aceleração
0 - 100 km/h: 14 s
0 - 400 m: 19,2 s
0 - 1.000 m: 35,4 s
Vel. a 1.000 m: 146 km/h
Vel. real a 100 km/h: 98 km/h

Retomada
40 - 80 km/h (3ª): 8,4 s
60 - 100 km/h (4ª): 12,8 s
80 - 120 km/h (5ª): 20,7 s

Frenagem
100 - 0 km/h: 43,3 m
80 - 0 km/h: 27,3 m
60 - 0 km/h: 15,7 m

Consumo
Urbano: 8,6 km/l
Rodoviário: 11,4 km/l
Média: 10 km/l
Aut. em estrada: 540 km

Ficha técnica

Motor
Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.0, 8V, injeção eletrônica, flex

Potência
80/78 cv a 6.400 rpm

Torque
9,8/9,5 kgfm a 5.200 rpm

Câmbio
Manual de 6 marchas, tração dianteira

Direção
Elétrica

Suspensão
Indep. McPherson (diant.) e eixo de torção (tras.)

Freios
Discos ventilados (diant.) e tambores(tras.)

Pneus
185/65 R15

Dimensões
Compr.: 4,27 m
Largura: 1,70 m
Altura: 1,47 m
Entre-eixos: 2,53 m

Tanque
54 litros

Porta-malas
500 litros (fabricante)

Peso
1.028 kg

Central multimídia
7 pol., sensível ao toque

Garantia
3 anos

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