Teste: Volkswagen Golf GTE elétrico tem autonomia e preço de picape diesel
São 880 km de autonomia e consumo de 21 km/l de média, mas o preço de R$ 200 mil assusta
Por André Schaun
A missão do novo Volkswagen Golf GTE é provar que o primeiro modelo híbrido plug-in da marca no Brasil pode ser tão esportivo quanto o Golf GTI, mas com apelo econômico. Outro desafio é justificar o preço de R$ 199.990, bem mais do que os R$ 151.530 pedidos pelo falecido esportivo.
Ainda mais se levarmos em consideração que, na Europa, o modelo foi lançado em 2014 e já está uma geração atrás da brasileira. O GTE tem o motor 1.4 TSI a combustão de 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, aliado a outro elétrico de 102 cv e 35,7 kgfm — o mesmo torque do 2.0 TSI do GTI, que entrega potência de 230 cv, contra 204 cv do híbrido.
A diferença visual entre os dois é simples: sai o vermelho do GTI e entra o azul do GTE no friso da grade dianteira que se estende até os faróis, no freio, nas costuras, no xadrez dos bancos e em alguns detalhes internos. No caso do eletrificado, há faróis em LED e DRL no contorno das entradas de ar laterais.
O híbrido não tem itens opcionais, e traz de série sete airbags, volante com base achatada revestida de couro com a assinatura GTE, teto solar panorâmico, detector de fadiga, câmera de ré, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem de emergência, alerta de colisão frontal e controles de tração e estabilidade.
Bancos com ajustes elétricos, bancos de couro, chave presencial e faróis de neblina não são oferecidos, inexplicavelmente. As rodas têm aro 16, com pneus 205/55 R16, enquanto o GTI conta com aro 17 e rodas 225/45 R17.
O espaço interno é basicamente o mesmo do hatch original. O entre-eixos, largura e altura ajudam a acomodar bem passageiros de até 1,80 m atrás. E o porta-malas não foi alterado, embora seja pequeno (um Renault Sandero tem até 347 litros no teste da Auto News Brasil).
Girando a chave, o silêncio é tanto que aqueles que não conhecem um carro elétrico podem demorar a perceber que está ligado. Certo que o GTE é híbrido, porém, sempre que a ignição é ativada, ele está no modo e-mode, de condução 100% elétrica.
Apenas com o motor elétrico, o GTE roda até 50 km e atinge velocidade máxima de 130 km/h. E, como todo plug-in, pode ser recarregado na tomada. Há mais três opções de condução no seletor do console: Hybrid, que utiliza as duas motorizações; Battery Hold, em que só o motor a combustão é usado, preservando a autonomia do elétrico; e Battery Charge, que prioriza o carregamento da bateria e deixa o desempenho manso, mas altamente eficiente para a recarga.
A melhor forma de andar na cidade é mesclar o modo Battery Charge com o e-mode na maior parte do tempo, pois o consumo de combustível é muito pequeno.
O quinto modo de condução é o GTE, com performance máxima dos dois motores. O zero a 100 km/h levou 7,6 segundos, 1,2 s a mais que o GTI, no que colaborou o peso de 1.524 kg — 207 kg extras em razão das baterias.
A despeito disso, os demais testes tiveram resultados bem próximos do esportivo e há até um ronquinho grave no modo GTE. As retomadas são muito rápidas e até as frenagens são curtas, uma boa coisa em se tratando de um hatch médio muito pesado.
Mas existe um ponto em que o GTE é muito superior ao antigo esportivo: o consumo. O VW híbrido plug-in faz 21 km/l de gasolina, enquanto o GTI alcança 11,8 km/l. A autonomia dele chega a 880 km na estrada, número que o aproxima do alcance de uma picape turbodiesel, a despeito do tanque do hatch ter apenas 40 litros, 11 l a menos que um GTI e 10 l inferior ao oferecido por um pequeno up! TSI.
É uma bela economia de combustível, mas, por ser um carro mais antigo que o modelo oferecido na Europa, bem que o VW poderia ser econômico também no preço. Afinal, o novo Golf 8 plug-in já é oferecido no exterior e tem chances de vir como importado no futuro.
Teste
Aceleração
0 - 100 km/h: 7,6 s
0 - 400 m: 14,8 s
0 - 1.000 m: 26,9 s
Vel. a 1.000 m: 196,4 km/h
Vel. real a 100 km/h: 97 km/h
Retomada
40 - 80 km/h (Drive): 2,7s
60 - 100 km/h (D): 3,4 s
80 - 120 km/h (D): 4,1 s
Frenagem
100 - 0 km/h: 40,3 metros
80 - 0 km/h: 25,8 m
60 - 0 km/h: 15 m
Consumo
Urbano: 20 km/l
Rodoviário: 22 km/l
Média: 21 km/l
Aut. em estrada: 880 km
Ficha técnica
Motor
Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 1.4, 16V, comando duplo no cabeçote, turbo, injeção direta de gasolina + motor elétrico
Potência
150 cv a 4.500 rpm /102 cv (elétrico)
Torque
25,5 kgfm a 1.500 rpm /35,7 kgfm (elétrico)
Câmbio
Automático de 6 marchas e dupla embreagem, tração dianteira
Direção
Elétrica
Suspensão
Indep. McPherson (diant.) e multilink (tras.)
Freios
Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)
Pneus
225/45 R17
Dimensões
Compr.: 4,25 metros
Largura: 1,80 m
Altura: 1,46 m
Entre-eixos: 2,63 m
Tanque
40 litros
Porta-malas
272 litros (fabricante)
Peso
1.524 kg
Central multimídia
9,2 pol., sensível ao toque
Garantia
3 anos
Seguro
R$ 6 mil
Revisões
10 mil km: Grátis
20 mil km: Grátis
30 mil km: Grátis