Teste: Toyota Yaris com motor 1.3 e câmbio CVT oferece desempenho e conteúdo na medida certa
Mesmo sem surpreender no desempenho, Yaris intermediário faz jus às boas referências da família Toyota
Por Vagner Aquino
Apesar de existir no mercado externo há alguns anos, o Yaris é novidade total no Brasil. Aliás, total, não! O ineditismo se restringe, basicamente, ao visual, visto que a mecânica e os diversos itens tecnológicos e funcionais vêm dos irmãos Etios e Corolla, como, respectivamente, o motor e o câmbio da configuração XL Plus Tech 1.3 CVT, de R$ 69.990, avaliada aqui
Impressões ao volante
O motor 1.3, que vem do hatch compacto, tem bloco e cabeçote de alumínio, 16 válvulas e alimentação bicombustível. Mas o pessoal da engenharia da Toyota teve trabalho, sim, afinal, foram feitas melhorias no propulsor, extraindo mais potência. Em números, o bloco desenvolve até 101 cv quando bebe etanol - são 6 cv extras. Na prática isso não difere tanto, mesmo porque deve-se colocar nesta conta outros dados como câmbio (aqui, o excelente CVT usado no Corolla), peso do carro, torque, entre outros números.
Por falar em torque, a Toyota divulga que o Yaris desenvolve 12,9 kgfm, porém, a tardios 4.000 giros (números com etanol no tanque, de 45 litros), o que contribui para o comprometimento do desempenho em ladeiras íngremes e ultrapassagens, por exemplo. Nestas situações, consequentemente, o motor grita, gerando certo incômodo para os ocupantes. Afinal, ele é 145 quilos mais ‘gordo’ que o Etios.
Com suspensões 1,3 centímetro mais alta que o modelo vendido lá fora, o Yaris nacional (feito na planta de Sorocaba, interior de São Paulo) tem conjunto McPherson na dianteira, e eixo de torção, atrás. Seu comportamento é bastante parecido ao do restante da família, ficando na medida (nem molenga demais, nem extremamente rígida). Ponto para o modelo, que nasceu justamente com essa proposta de prezar conforto e baixo consumo ao invés de desempenho.
Custo-benefício
Por quase R$ 70 mil, o Yaris XL Plus Tech não vem com o teto solar oferecido nas configurações topo de linha - o único modelo da categoria, aliás, a ter o respectivo item de série. No mais, vem com mimos como ar-condicionado automático e digital, chave presencial (motor é acionado por meio de botão no painel) e central multimídia com tela de 7 polegadas. E a tecnologia melhorou o conjunto em relação aos modelos anteriores da Toyota. Aquele touch screen de péssima qualidade ficou para trás. Evoluiu. Todavia, o sistema de entretenimento ainda peca por não disponibilizar, por exemplo, o GPS de série. Nesse caso, é necessário baixar o programa do navegador no celular e pareá-lo ao veículo, situação não muito cômoda e que já é evitada, inclusive, em modelos mais baratos de outras montadoras.
Teste: Toyota Yaris com motor 1.3 e câmbio CVT oferece desempenho e conteúdo na medida certa
Mesmo pecando em alguns quesitos, como o abuso de plástico no acabamento, o Yaris é bastante interessante. É simples. Fácil e gostoso de guiar. Além disso, vem desde a configuração básica com comando elétrico para vidros e travas, controle de estabilidade e de tração, assistente de partida em rampa, faróis com regulagem elétrica e acendimento automático (porém, as lâmpadas são halógenas) e rodas de liga leve com 15 polegadas.
Cabe salientar que a lista ainda conta com direção eletroassistida progressiva, faróis de neblina, volante multifuncional, computador de bordo, retrovisor interno eletrocrômico e um generoso porta-malas com capacidade para 310 litros de bagagem.
Vale a compra?
Sim. Apesar de ser um carro sem histórico no Brasil, a confiabilidade da marca e a sacada em emprestar componentes do bem-sucedido Corolla, rendem boas referências ao Yaris, que tem ótimo espaço interno e desempenho dentro da média. Economia com combustível e preço de revisão (R$ 2.914,44 até os 60 mil km) também prometem fisgar o consumidor da categoria.
Ficha técnica
Motor: Dianteiro, transversal, Dual VVT-i DOHC de 16 válvulas, flex
Cilindrada: 1.329 cm³
Potência: 94 cv (gasolina)/101 cv (etanol) a 5.600 rpm
Torque: 12,5 kgfm (gasolina)/12,9 kgfm (etanol) a 4.000 rpm
Transmissão: Automático do tipo CVT, tração dianteira
Direção: Eletroassistida progressiva
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e a tambor na traseira, ABS
Pneus: 185/60 R15
Dimensões: Comprimento 4,15 metros; Largura 1,73 m; Altura 1,49 m; Entre-eixos 2,55 m
Tanque de combustível: 45 litros
Peso: 1.110 kg
Porta-malas: 310 litros