Avaliação: Chevrolet Spin Activ
Por R$ 62.060, minivan ganha trajes offroad com direito a estepe na traseira. Mas o diferencial é o pacote de equipamentos
Por Tereza Consiglio
Roupa nova e um bom corte de cabelo podem até dar uma levantada na autoestima, mas não mudam a personalidade de ninguém. O mesmo vale para os carros. Por isso, já adianto, apesar do rack no teto, apliques emborrachados na carroceria, pneus de uso misto e o estepe na tampa do porta-malas, a Chevrolet Spin Activ, que chega ao mercado por a partir de R$ 62.060, continua a ser a minivan familiar de sempre, prática e afeita ao asfalto.
Mesmo que o apelo offroad se resuma apenas ao visual, a montadora espera que a nova versão represente até 30% das vendas do modelo e ajude a incrementar os números de licenciamentos, que ficam atrás apenas do Honda Fit no acumulado do ano. Segundo a gerente de marketing de produto da GM, Juliana Fukuda, hoje, as versões aventureiras respondem por 20% das vendas no segmento de monovolumes. É esse público que a Spin quer roubar de concorrentes como Fiat Idea Adventure e Citroën Aircross.
Impressões gerais
Ao volante, a Spin Activ pouco se diferencia dos demais membros da gama. O motor 1.8 8V Econoflex de 106/108 cv de potência e 17,1 kgfm, embora antiquado, continua a oferecer desempenho razoável à minivan, mas os 70 kg adicionais da roupa nova pesaram na prova de aceleração. Equipada com a segunda geração do câmbio automático de seis marchas, o aventureiro levou 13,3 segundos para ir dos 0 a 100 km/h, enquanto a versão convencional fez o mesmo em 12,9 segundos. A atuação da transmissão também poderia ser mais precisa. Apesar de suaves, as trocas não são atendidas de prontidão aos ímpetos do pé no acelerador. Se o motorista preferir, é possível assumir o comando das trocas através de um botão de +/- localizado na lateral da alavanca do câmbio, mas a posição desse recurso não é prática.
Comum ao segmento dos aventureiros de fachada, o aumento da altura da suspensão foi dispensado no caso da Spin, pois o modelo já contava com um bom vão em relação ao solo. Houve um ganho de 8 mm devido a adoção de rodas maiores de 16 polegadas e pneus de uso misto (205/60 R16). Em ação, o conjunto pouco afetou o comportamento dinâmico, que preserva a direção leve e direta, o rodar macio e a competência em filtrar as imperfeições de vias mal pavimentadas tipicamente urbanas, diga-se de passagem. Mas nota-se que a Activ aderna ainda mais nas curvas, um carro família em todos os quesitos.
Por isso mesmo, o principal mote do carro continua a ser o bom espaço interno, proporcionado pelos 2,62 m de entre-eixos, que garantem conforto de sobra para pernas e cabeças de quem viaja atrás. O porta-malas também é bastante generoso, com 501 litros. Vale dizer, no entanto, que o visual offroad e o sobrenome Activ contempla apenas a versão com cinco lugares. Quem precisar de espaço extra, terá que se contentar com o visual convencional da minivan. A Fiat faz o mesmo com o Dobló Adventure, oferecido com seis lugares e não com sete por causa da possibilidade de intrusão do estepe externo em caso de choque traseiro, mas a Chevrolet afirma ser uma razão de mercado.
Custo-benefício
Falando em mercado, o modelo procura se diferenciar dos rivais Fiat Idea Adventure e Citroën Aircross pela lista de equipamentos. Por R$ 62.060 ou R$ 65.860 (com câmbio automático), a Spin oferece além do ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, rodas de liga leve e volante multifuncional, comum aos concorrentes, sensor de estaciomento traseiro e, é claro, o sistema multimídia MyLink com tela sensível ao toque de sete polegadas. No fim, ela acaba sendo o principal diferencial da Spin em relação aos concorrentes e agrega as funções do sistema de som, conectividade e telefone. Mas a Chevrolet também cobra mais de R$ 4 mil por isso. As versões equivalentes de Idea (câmbio Dualogic) e Aircross (câmbio automático de 4 marchas) custam R$ 61.945 e R$ 59.990, respectivamente. Além da vantagem da central eletrônica touchscreen e do câmbio automático bem mais moderno, a Spin entrega mais espaço interno e melhor diribilidade e ergonomia que os dois, apesar de ser considerado o patinho feio do trio.
Vale a compra
Sim, se você não precisar de um modelo com sete lugares. Com a chegada da Activ, a montadora reformulou o conteúdo das versões e hoje a minivan aventureira da GM oferece conteúdo mais encorpado que a versão intermediária LT. Mesmo com o pacote mais completo a Spin LT de R$ 59.060 não traz a central MyLink, sensores de estacionamento, faróis de neblina e o volante com os comandos do rádio e telefone. Vale dizer que a configuração topo de linha LTZ com sete lugares, oferece o mesmo nível de equipamentos do modelo aventureiro e sai praticamente pelo mesmo preço da Activ (R$ 65.790). Por isso pode ser uma melhor opção para quem desejar lugares extras acima de tudo.