13 inimigos da pintura automotiva que você precisa eliminar o mais rápido possível
Veja quais são as situações que oferecem mais dado à lataria e à pintura do carro; vários problemas são irreversíveis se não forem tratados com rapidez
Por Dora Martinelli (com Ulisses Cavalcante)
Na hora de vender o carro, a pintura é um dos principais chamarizes para ajudar a fechar o negócio. Provavelmente é também a primeira coisa que seu eventual comprador irá observar. Muitos fatores podem contribuir para o seu estrago, por isso conversamos com Diego Lazari, analista técnico do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária) Brasil, e com Fernando Pagotto, gerente industrial e químico da Interbrilho e listamos 13 situações que precisam da sua atenção o mais rápido possível.
1) Cocô de passarinho
As fezes de aves são corrosivas e podem provocar manchas na pintura do carro. O material orgânico ataca a superfície do verniz, causando "buracos" nessa camada. Essa correção tardia é complicada e, às vezes, requer uma repintura.
Não se deve raspar a casquinha seca que se forma do dejeto, isso pode riscar o carro. Faça a remoção utilizando um limpador alcalino tentando dissolver a matéria fecal, com água pressurizada em seguida. O restante tire com xampu automotivo de qualidade.
2) Chuva ácida
Ela pode atacar a pintura do automóvel por conta da presença de gases e partículas (como o azoto e enxofre) na atmosfera. Esse fenômeno ocorre principalmente em grandes cidades e, infelizmente, não tem como prevenir ou identificar qual o tipo de chuva.
Por isso, é recomendado lavar o carro com água e xampu apropriado após ter enfrentado uma chuva. Não é necessário fazer uma limpeza IMEDIATA, não é isso. Basta que você não deixe passar muito tempo. Uma forma de evitar danos é manter a pintura protegida com cera automotiva ou vitrificadores.
3) Chuva de granizo
As pedrinhas de gelo podem provocar amassados e até remover um pouco da pintura no ponto em que há a colisão do gelo com o carro - os chamados "chips". Se isso acontecer, não demore para procurar um profissional para o reparo, pois além de danificar a pintura, há risco de infiltração de água, o que enferruja a lataria.
4) Maresia
Quem mora em cidades litorâneas deve tomar ainda mais cuidado com a pintura do carro. Se o veículo apresentar amassados, arranhões ou qualquer outro dano que tenha deixado a superfície metálica exposta, procure uma oficina para reparo, pois o contato com a maresia provoca corrosão.
A maresia não é só danosa para a pintura. Também ataca as borrachas, plásticos e os metais da parte mecânica, como motor, suspensão e escapamento. Por isso, depois de retornar de ambientes com maresia intensa (sobretudo em épocas úmidas do ano), faça uma limpeza completa, incluindo uma lavagem que inclua a parte inferior do carro.
5) Temperaturas extremas
Frio e calor extremo são situações previstas pelos fabricantes. Como os automóveis são testados em várias condições de uso, espera-se que suportem tais adversidades. O que não significa que possam "sobreviver" sem efeitos colaterais, quando expostos ao extremo.
Em temperaturas acima de 35 graus, em regiões como Rio de Janeiro ou Nordeste, ou abaixo de zero, como ocorre no Sul do país, é normal que os plásticos deformem ou esbranquicem. Vale ressaltar que carros novos e mais modernos possuem pinturas preparadas para isso, com camada de verniz original suficiente para suportar alguns anos. No entanto, proteção química para todas as superfícies expostas ajuda a preservar a cor e o verniz por mais tempo. Pois, apesar de serem materiais resistentes, estão sujeitos ao desbotamento.
6) Respingos de tinta
Evite a exposição do automóvel próximo à áreas que estejam sendo pintadas. Os resíduos particulados de tinta podem sedimentar sobre pintura. Se ocorrer com seu veículo, Pagotto indica a pasta abrasiva fabricado pela 3M. Para a remoção, borrife água com um pouco de detergente nos lugares afetados e passe a barra delicadamente, como se estivesse lavando. Ela fará a descontaminação da pintura.
Tire o mais rápido possível esses respingos de tinta acrílica ou de esmalte. Depois que estiverem curadas ou já completamente secas, será muito mais difícil fazer a remoção. Esse é um problema que não pode esperar.
7) Áreas de construção
Assim como no caso anterior, evite estacionar o veículo próximo à áreas de construção. Por conta da alta concentração de poeira e de cimento, pode ocorrer danos na pintura. Para remover esses sedimentos, molhe bastante o carro com água, isso irá tirar a poeira e amolecer o cimento endurecido, evitando riscos no automóvel.
Se isso ocorrer, faça uma lavagem com processos semelhantes à de um off-road, quando é necessário fazer a remoção de material de origem mineral. Ou seja, uma ou mais fases de pré-lavagem, sem contato mecânico abrasivo (sem esfregar) a pintura ou plásticos, antes de efetuar a primeira limpeza com luva de micro fibra.
Lembre-se de ficar atento aos produtos corretos para cada tipo de sujeira, prestando atenção à sua origem (mineral ou orgânica).
8) Resíduo de asfalto
Resquícios de material asfáltico podem acabar grudando sobre a pintura, principalmente quando há reparos recentes na via. O piche é derivado do petróleo, portanto, não pode ser removido apenas com água.
Utilize produtos a base de solvente para remoção, como querosene por exemplo. Para isso, encharque o pano com o produto e o deixe agir um pouco para amolecer. É recomendado lavar o veículo com água e sabão neutro após a utilização de qualquer produto químico.
No entanto, o querosene é bastante agressivo. Use se não houver alternativa. Existem produtos profissionais específicos para remover esse tipo de material e são encontrados em lojas de detailing automotivo.
9) Produtos derivados do petróleo
Os produtos a base de petróleo devem ser usados para limpeza do veículo apenas em casos específicos e em áreas afetadas, como citado acima. Não utilize esses produtos para limpeza geral do veículo. Não passe querosene em borrachas ou plásticos, tampouco utilize gasolina para remover manchas teimosas.
10) Sabão não neutro na lavagem
Assim como no caso anterior, o uso de produtos de limpeza não apropriados para veículos podem provocar problemas na pintura, principalmente quando não removidos completamente. Procure por produtos com PH neutro para limpeza do automóvel.
A exceção é se você tiver conhecimento sobre limpeza automotiva e esteja familiarizado com os tipos de sujeira e os produtos ideais para remover cada um deles. Nesse caso, é possível recorrer aos produtos especializados, que podem ser ácidos ou alcalinos.
11) Combustíveis
É sempre importante verificar se, durante o abastecimento, ocorreram respingos de gasolina, diesel ou etanol sobre a pintura. Se isso acontecer, remova imediatamente com água e sabão neutro. Caso perceba tarde demais, leve o veículo à uma funilaria para fazer o polimento especializado para remoção.
12) Panos para limpeza
O pano ideal para limpeza do carro é o de microfibra, pois possui pequenos furos que "guardam" a sujeira, evitando que fiquem na parte superficial, riscando o veículo. Lave o pano em uma máquina de lavar com centrifugação, pois higienizá-lo e torcê-lo a mão pode estourar suas fibras, o que acabará com os micro furos. O mesmo pano pode ser utilizado até perder sua maciez. Vale lembrar que o ideal é começar a limpeza do automóvel pelas partes superiores, como o teto, onde há menor concentração de sujeira, deixando as partes de baixo por último.
Não faça a esfregação de um lado para o outro. Limpe em uma direção apenas, sem "vai-e-volta". Após a passagem do pano pela superfície, dobre-o e utilize outra porção do pano. Na sequencia, agite-o em um balde para eliminar as partículas removidas da pintura.
13) Capa de proteção sem ventilação
Cuidado também ao manusear as capas de proteção. Esteja sempre atento à sua limpeza para não provocar arranhões. Dê preferência a capas que possuam ventilação, para que não haja acúmulo de umidade, que pode resultar na transferência da cor da capa para a pintura.
Jamais cubra um carro quente, tampouco um que esteja molhado. Para usar a capa, é necessário que todas as superfícies estejam frias e secas.
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Auto News Brasil? É só clicar aqui para acessar a revista digital.