Testamos o sistema de aluguel de bicicletas de São Paulo
Bike Sampa foi reinaugurado na cidade com bicicletas mais modernas; a má notícia é o fim da gratuidade de empréstimo por 1 hora
Por Alexandre Izo
A cidade de São Paulo reinaugurou em janeiro o sistema “Bike Sampa”, um projeto de compartilhamento de bicicletas promovido por uma parceria público-privada que reúne cerca de 800 mil usuários cadastrados e mais de 2,4 milhões de viagens realizadas, desde sua criação.
A nova frota é composta por bikes atualizadas e que podem ser retiradas via aplicativo, cartão de transporte ou cartão de usuário. Fui testar uma dessas magrelas em um domingão de calor escaldante, mas fiquei surpreendido com a qualidade do equipamento, apesar do alto custo cobrado pelas viagens.
Antes de tudo, o interessado deve fazer um cadastro rápido e fácil pelo aplicativo, ou pelo site “Bike Itaú”. Mas, fique atento para não inserir o número do seu bilhete de transporte público “bilhete único” entre os dados, caso a sua opção seja pelo pagamento via cartão de crédito, pois pode gerar conflito.
Com o app instalado no telefone, dá para ver as estações oferecidas e quais têm unidades disponíveis para locação, bem como as altas tarifas cobradas. Agora, não há mais gratuidade de empréstimo por 60 minutos. E os novos planos são fixados em R$ 8 para concessão diária, R$ 15 para três dias, R$ 20 para um mês e R$ 160 para o programa anual.
Uma dica importante é ler todos os termos do contrato, aqueles das letras miúdas que informam, entre outras coisas, que o plano passa a valer imediatamente a partir do momento de contratação. Ou seja, você não fica com o plano reservado para utilizar quando quiser.
Se contratar um plano para um dia, por exemplo, e for utilizar no dia seguinte, dançou. Lembrando que os planos podem ser adquiridos pelo site, aplicativo ou em pontos físicos de atendimento. A compra de um deles garantirá viagens ilimitadas de até 60 minutos, com intervalos de 15 minutos entre elas.
Ao chegar a um dos sítios de empréstimo, na zona oeste de São Paulo, notei um curioso fitando o painel solar, que de bate pronto me perguntou: São elétricas? Ainda dá pra andar de graça? Para a desilusão daquele entusiasmado, respondi negativamente as duas perguntas explicando que a placa fotovoltaica é responsável por carregar o totem principal, bem como os que acomodam as bikes, e onde se digitam as senhas para a liberação das magrelas.
Sobre a gratuidade abolida, a Tembici, responsável por promover aquela solução, informou que a nova política é para ajudar a financiar o novo sistema.
Na primeira tentativa de uso, o app deu erro e não liberou o código para destravar uma das bikes. Estranhei um pouco, afinal eu havia feito o cadastro pelo site horas antes, ainda em casa. Depois de algumas tentativas, eu liguei para o telefone que consta no poste laranja principal e o problema foi resolvido por um atencioso operador.
Apesar de me ajudar a efetuar a compra, o atendente esclareceu que a central telefônica não vende pacotes, e que estava me ajudando em caráter de exceção, talvez por ser uma ocorrência recorrente naquele instante, e também por ser um domingo. Depois de resolver o impedimento, eu finalmente tive acesso a uma das laranjinhas fabricadas pela canadense PBSC Urban Solutions.
O teste das novas bikes
Já sobre a bicicleta, fiquei surpreso com a leveza daquele corpo de alumínio com 18 quilos de peso. E depois de ajustar facilmente o confortável selim e o retrovisor fixado apenas do lado esquerdo, e que poderia ser maior, eu saí para minhas pedaladas.
De cara, deu para perceber a boa ergonomia oferecida, que faz com que o ciclista desenvolva seus passeios em posição ereta, ajudando-o a chegar ao destino com mais conforto e sem dores nas costas ou nos braços. Uma característica reforçada pela boa empunhadura das manoplas. Joga também a favor, as rodas de 24 polegadas com pneus do tipo balão ajudam a vencer pequenos obstáculos com facilidade.
Na unidade testada, o descomplicado sistema de três marchas com passador acessado pela mão direita fez passagens para cima com suavidade e reduziu as velocidades com pequenos solavancos e ruídos, ainda assim sem prejudicar o rodar. O câmbio ajuda o ciclista a evoluir bem a velocidade, até atingir a máxima, limitada, de 25 km/h. Lembrando que a autonomia das luzes alimentadas pelo dínamo é de 60 km.
De tão eficiente, o conjunto de freios do tipo rolete “roller brakes” exige certo cuidado no manuseio, em especial o dianteiro, quando sobre superfícies lisas ou com pedriscos. A parada instantânea ao triscar no manete traz muita sensação de segurança. De série, as bicicletas contam ainda com cesto adaptável, pneus reflexivos, cobre-corrente (que protege o ciclista), refletores frontais e traseiros sobrealimentados e sistema antifurto.
A estratégia
A capital paulista é a segunda cidade do País a receber o novo “bike sharing”, depois de Pernambuco, e segundo seus organizadores a implantação completa do sistema será realizada até o fim do semestre com a instalação de 260 estações e 2.600 bicicletas. O objetivo da atualização é tornar a experiência do compartilhamento desses veículos mais segura, confortável, eficiente e sustentável. O usuário não cadastrado no sistema também pode comprar algum plano diretamente nas estações que tenham totem de atendimento, sem a necessidade de cadastro prévio no site. Cerca de 30% das estações oferecerão o diferencial.
Em nota, Tomás Martins, CEO da Tembici, afirmou: “Estamos muito felizes em implantar no Brasil o sistema mais utilizado de bicicletas compartilhadas no mundo”. Já o CEO da PBSC Urban Solutions, Luc Sabbatini, disse: “Estamos entusiasmados em contribuir para o espírito icônico da cidade através deste importante marco do projeto de mobilidade do Brasil”.
Se por um lado o empréstimo gratuito por 60 minutos foi extinto, por outro, há agora um modelo batizado de “Estação Bike” que disponibiliza 500 magrelas, em cinco terminais de transportes públicos de grande adensamento - apenas em regiões periféricas - para serem retiradas e utilizadas por até 12 horas consecutivas. Para ter direito à utilização nessa modalidade é necessário que um dos planos disponíveis seja contratado e esteja válido no momento do empréstimo. Em São Paulo, o “Estação Bike” é oferecido nos terminais de ônibus Itaquera, Tatuapé, Capelinha, Jabaquara e Vila Nova Cachoeirinha.
Regras para utilização do serviço
- O horário de funcionamento das estações é das 05h às 23h todos os dias da semana.
- Taxas de não respeito aos prazos: Após os 60 primeiros minutos, será cobrado o valor de R$ 5 adicional a cada período de 60 minutos, cumulativamente. E, será cobrada uma taxa de R$ 15 quando o intervalo entre uma viagem e outra for inferior a 15 minutos.
- Taxa de danos à bicicleta: Será cobrada uma taxa de R$ 200 caso a bicicleta seja devolvida com danos estruturais comprovadamente causados pelo usuário.
- Taxa de não devolução: Se constatado a não devolução da bicicleta até 72 horas depois de finalizado o empréstimo, será cobrado uma taxa de R$ 2 mil no cartão do usuário ou via boleto de cobrança.
- Limite do cartão: Ao contratar um plano diário ou de três dias será feita uma pré-autorização no cartão do usurário no valor de R$ 300. O valor que não é debitado, mas impacta no limite do cartão, é liberado em até quatro dias depois da devolução da bicicleta.
- Tarifa de emissão de cartão: Será cobrada uma tarifa de R$ 5 para a emissão de cartão quando o usuário optar por receber u cartão magnético do Sistema Bike Itaú na compra de um plano mensal, através do site.
- A contratação presencial em um dos pontos de atendimento físico só pode ser efetuada em dinheiro. E o usuário deverá oferecer documento original com foto e comprovante de residência (conta de consumo).
- Uso do cartão do transporte público: Após adquirir o Plano desejado, o usuário poderá cadastrar seu cartão de transporte “Bilhete Único” pelo site ou pela central de atendimento, para retirar as bikes nas estações. Masi informações no site Sampa Bike.