Tesla processa empresa que não conseguiu produzir asa de gaivota do Model X
De acordo com a montadora, dispositivos não abriram de maneira rápida e simétrica e cederam além dos limites especificados
Por Redação Auto News Brasil
A norte-americana Tesla entrou com uma ação contra sua fornecedora de peças, a alemã Hoebiger Automotive Comfort Systems, alegando que a empresa falhou no desenvolvimento das portas asa de gaivota do Model X.
No processo, a montadora afirma que as portas produzidas pela Hoebiger "não abriram de forma rápida e simétrica" e “cederam para além dos níveis de tolerância especificados pela Tesla”.
O objetivo da montadora com a ação é impedir que a Hoebiger busque qualquer tipo de compensação além dos US$ 3 milhões já pagos a ela pela Tesla. Além disso, a norte-americana quer ser reembolsada pela antiga fornecedora pelos milhões de dólares em prejuízos causados pelas portas defeituosas.
A Tesla rompeu laços com a alemã em maio do ano passado, depois de pouco mais de um ano de parceria, firmada em fevereiro de 2014. Apesar de todo esse problema, a montadora não desistiu das asas de gaivota - e outra fornecedora, que ainda não teve seu nome divulgado, já foi contratada.
Nada de novo
Por mais legais que sejam, essas portas são, em essência, a evolução de um conceito que já existe há muito tempo. O Mercedes-Benz 300SL, por exemplo, conhecido como “Gullwing”, foi o primeiro carro de rua, na versão cupê, desenvolvido com portas que abriam para cima.
A história por trás das asas de gaivota é, na verdade, bem simples. Tudo começou em 1952, quando a Mercedes-Benz projetava o W194: a estrutura do carro de corrida era muito resistente e leve, mas o modelo tinha soleiras altas, com tubos passando por dentro delas, que tornavam o acesso ao interior do veículo muito difícil.
A solução foi equipar o W194 com portas que abriam para cima no lugar das normais. Entrar no carro continuava sendo uma tarefa nada fácil, mas, em compensação, a abertura das portas era bem maior. Além disso, o visual obtido era algo inédito, e logo se tornou uma das marcas registradas do modelo.
Em 1954, boa parte das linhas do W194 de competição foram mantidas no cupê de rua. Dele, o 300SL herdou o modo de construção, o alumínio na carroceria, o motor 3.0 (agora com injeção direta e 215 cv) e, claro, as asas de gaivota. O modelo foi vendido até 1963 e, depois dele, muitos outros adotaram o mesmo estilo de porta, como o DMC DeLorean (foto abaixo), o Gumpert Apollo, o conceito C111 da própria Mercedes e o SLS AMG, sucessor espiritual do 300SL.