Guia do primeiro carro elétrico: entenda como funciona a garantia

Coberturas tendem a ser mais extensas, porém até a condição climática pode comprometer a proteção contratual

Por
Fernando Miragaya


Apesar da garantia extendida das baterias, fabricantes impõem condições que podem interferir na cobertura de seus veículos elétricos Divulgação

Você já leu no nosso Guia do Primeiro Elétrico que os veículos movidos a bateria têm menos componentes, o que implica em funcionamento e manutenção — geralmente — mais simples. Isso se reflete também nas garantias, muitas vezes mais extensas, porém que guardam aquelas letras miúdas às quais o consumidor precisa ter não uma lupa, mas um telescópio.

Se formos considerar as coberturas para os carros em geral, normalmente elas seguem o padrão dos modelos com motor a combustão: variam de três a cinco anos, em média. Contudo, a garantia para as baterias e os motores dos veículos elétricos (VEs) são, via de regra, de oito anos.

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“Isso se deve em parte à confiança na durabilidade e desempenho desses componentes, assim como para tranquilizar os compradores sobre a manutenção de longo prazo”, observa Wanderlei Marinho, membro do Comitê de Veículos Elétricos e Híbridos da SAE Brasil.

Especialista explica que garantia das baterias em veículos elétricos ajuda a tranquilizar o consumidor quanto à manutenção de longo prazo — Foto: Getty images

A garantia para a bateria, inclusive, não significa que, depois do prazo estipulado em contrato, ela vai morrer. Trata-se do tempo em que a fabricante garante que a peça vai operar em suas condições normais de funcionamento, tanto para tempo de recarga, como para autonomia.

Porém, aqui começam os alertas. Vários especialistas são quase unânimes que, a cada ano, a bateria de um VE perde até 2% de sua capacidade. Em uma conta bem básica, pode significar que um carro elétrico que promete autonomia de 300 km vai ter, ao fim de oito anos, o seu alcance reduzido “naturalmente” para 255 km, ou seja, 45 km a menos.

Só que a grande questão é que a cobertura não é tão ampla e irrestrita assim. Existem muitas contrapartidas que podem comprometer a garantia do carro elétrico. Desde o uso do automóvel e o carregador que ele usa, até mesmo as condições meteorológicas onde o veículo fica.

Olho nas letras miúdas

Estas entrelinhas das garantias do carro elétrico variam conforme a montadora. Na BYD, por exemplo, se o cliente for usar o modelo como táxi, motorista de aplicativo ou transporte de carga, o prazo de cobertura é reduzido significativamente: a bateria, de oito, cai para cinco anos ou 150 mil km, enquanto a do carro despenca de 5 para 2 anos, ou 100 mil km.

Motoristas que exercem atividade remunerada com veículos da BYD devem arcar com prazos de cobertura da fabricante reduzidos — Foto: BYD Dolphin Mini. Fabio Aro/Auto News Brasil

A carga da bateria também influencia em vários aspectos. Boa parte das marcas diz que o VE perde a garantia caso o automóvel fique parado por 14 dias seguidos ou mais e com o nível de carga muito baixo ou próximo do zero.

Também não é aceito que o carro fique sem ser carregado uma única vez por três meses consecutivos. Outras montadoras exigem que o veículo só use aparelhos de recarga homologados.

Algumas marcas suspendem garantia de seus modelos caso fiquem muito tempo com nível da carga baixo ou sem carregar — Foto: Rodrigo Ribeiro/Auto News Brasil

E só de morar em cidades quentes como o Rio, onde a sensação térmica recentemente passou dos 62º Celsius, pode causar problemas. Certas fabricantes suspendem a garantia caso o carro elétrico fique exposto a um calor extremo.

Na JAC Motors, por exemplo, não se pode deixar o VE a temperatura acima de 45°C por mais de 24h. Na Volvo Car, a tolerância é maior: 55º C.

Ainda surgem outras peculiaridades em relação aos veículos elétricos, que também variam de acordo com o modelo e a marca. Na Peugeot, há alertas para não usar lavadores com pressão acima de 80 bar na hora de limpar o carro, enquanto outras proíbem o uso de tais mangueiras de lavagem na direção do bocal de carregamento.

Volvo suspende garantia de seus veículos elétricos caso fiquem expostos em temperaturas a partir de 55° C por mais de 24h — Foto: Volvo EX30. Divulgação

Itens de desgaste natural

No geral, as coberturas para carros elétricos têm as mesmas variáveis e exigências dos veículos a combustão. Aquela regra básica para não perder a garantia é a mesma: fazer a revisão periódica conforme a recomendação da fabricante — normalmente, a cada 10 mil km ou 1 ano.

Assim como em modelo flex, a gasolina ou diesel, componentes sujeitos a “desgaste natural” — itens da suspensão, fluidos, filtros, pastilhas e discos do freio, pneus etc — também não estão assegurados pela garantia. Porém, observe no contrato a provável exigência de fazer várias destas trocas ou reparos na concessionária.

E o item mais óbvio na cobertura diz respeito ao manuseio da bateria. Só profissionais qualificados da rede de distribuidores podem abrir e fazer qualquer reparo na bateria.

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