Bugatti revela Bolide: hipercarro mais leve que um VW Golf e que poderia andar de ponta-cabeça em túneis
Conceito criado apenas para uso em pista pode ultrapassar os 500 km/h
Por Rodrigo Ribeiro
A relação peso-potência é um dos principais indicativos de desempenho em um carro. Um Fórmula 1 2020, por exemplo, tem 0,74 kg/cv — ou seja, cada cavalo do carro de Lewis Hamilton precisa empurrar só 740 gramas. Mas a Bugatti acabou de superar isso com o Bolide, um protótipo com relação de 0,67 kg/cv. Ah, e ele também pode ser o carro mais rápido do planeta.
Por enquanto a fabricante francesa divulgou apenas os dados de desempenho teóricos do hiperesportivo, mas eles já são de tirar o fôlego. O zero a 100 km/h seria cumprido em 2,17 segundos, e apenas dez segundos depois ele já estaria nos 400 km/h. Ah, a máxima é estimada em "muito além" dos 500 km/h. Melhor ficar de olho, SSC Tuatara.
O truque da Bugatti foi reinterpretar a máxima de Colin Chapman, criador da Lotus: "para ganhar velocidade, adicione leveza". O Bolide tem como base o Chiron, mas abriu mão de tudo o que é supérfluo. E como o modelo original também é um carro de luxo, o que não faltou foi gordura para cortar. Das quase duas toneladas do cupê sobraram apenas 1.240 kg. É menos que um Volkswagen Golf Comfortline 1.0.
Ah, e a reinterpretação de Chapman aconteceu porque a Bugatti também aumentou a potência do motor W16 8.0 de quatro turbos. Agora o propulsor chega a impensáveis 1.850 cv e 188 kgfm, devidamente transferidos ao asfalto por pneus slick feitos especificiamente para o Bolide.
Por ser um carro de uso exclusivo em pista, a Bugatti também deu atenção especial à pressão aerodinâmica, para garantir o máximo de aderência e desempenho nas curvas e frenagens. Segundo a empresa, a 320 km/h os aerofólios dão 800 kg de pressão no eixo dianteiro e 1,8 tonelada no traseiro.
Lembra do peso de 1.240 kg? Isso significa que, em teoria, o Bolide pode andar de ponta cabeça em um túnel, sustentado apenas pela pressão do ar sobre a carroceria.
O lado ruim é que até hoje ninguém tentou descobrir essa proeza, também presente nos Fórmula 1, na prática. E por enquanto a Bugatti falou que o Bolide é apenas um estudo conceitual e que não há previsão de produção.
Mas a mesma empresa também é especializada em produzir modelos exclusivíssimos para seus clientes (incluindo jogadores de futebol famosos), sempre dispostos a gastar alguns milhões para colocar verdadeiras obras-primas em suas garagens.
E, de quebra, a Bugatti "deixou escapar" que o Bolide foi construído segundo o regulamento de segurança da FIA (Federação Internacional do Automóvel), permitindo que ele possa competir nas provas da associação.
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