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Carros

Por Thiago Tanji


A subsidiária brasileira da Rhodia desenvolveu um fio especial que tem ação antiviral e antibacteriana (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
A subsidiária brasileira da Rhodia desenvolveu um fio especial que tem ação antiviral e antibacteriana (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Se você é aquela pessoa que não dá conta de repor o estoque de álcool gel da sua casa e toma todos os cuidados para se precaver diante da pandemia, uma informação não muito agradável: o interior do seu automóvel é um potencial hospedeiro de milhares de tipos de vírus e bactérias.

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Para se adaptar a uma nova realidade global, em que os aspectos sanitários serão tão importantes quanto o conforto e segurança, fabricantes de automóveis e grandes empresas já pensam em soluções para deixar o carro menos suscetível à exposição de microrganismos com potencial de causar doenças. 

Com uma tecnologia desenvolvida no Brasil, a indústria química Rhodia conseguiu produzir um fio com ação antiviral e antibacteriana, que pode ser utilizado para a produção de tecidos empregados em diferentes produtos, como roupas e máscaras. 

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E graças a uma parceria entre as empresas Grupo Chroma e Líquido Indústria Têxtil, tal tecnologia será aplicada na indústria automotiva, se estendendo para os diferentes setores da mobilidade, como no transporte público.

Material pode ser aplicado nos bancos dos veículos (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
Material pode ser aplicado nos bancos dos veículos (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Tecido especial
Pesquisadores brasileiros da Rhodia conseguiram criar um fio de poliamida (que é uma fibra sintética utilizada em produtos como o náilon) cuja estrutura química possui um agente capaz de neutralizar a ação de bactérias e vírus. 

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Com o nome de Amni Virus-Bac Off, a tecnologia foi certificada por laboratórios independentes, que observaram a eficácia contra diferentes microrganismos. Apesar de possuir uma estrutura diferente das bactérias, os vírus de grupos como influenza, coronavírus e herpesvírus também conseguem ser inutilizados ao entrar em contato com o composto químico presente no fio. 

A ideia da parceria Chroma-Líquido é desenvolver tecidos que possam ser utilizados nos bancos de carros, caminhões, ônibus, trens, metrôs e aviões. Tapetes, forros e partes do veículo que são manuseadas pelos motoristas, como volantes, também poderiam ser revestidos pelo material. 

O fio desenvolvido pela Rhodia não perde as suas propriedades ao longo do tempo e pode passar por ciclos de lavagem. A fabricante química já começou a exportar a tecnologia para diferentes mercados, como Estados Unidos, Europa e Ásia. 

Nas lojas e nas fábricas
A Chroma-Líquido pretende produzir 2 mil toneladas de tecido a partir do fio especial nos próximos 12 meses. Há a expectativa de geração de 500 novos empregos para a produção do material. 

De acordo com os porta-vozes, já há conversas adiantadas com quatro montadoras para uma possível aplicação do tecido nos veículos. "Quando fechado com alguma montadora, o processo deve ser o seguinte: primeiro testam os produtos como acessórios para o público. Posteriormente, se houver boa adesão, são iniciados estudos com a área de engenharia para aplicação na linha de produção", afirma à Auto News Brasil. "Como a pandemia impõe urgência, é possível dizer que os prazos para o cumprimento dessas etapas foram bastante encurtados."

Além disso, capas protetoras para bancos de veículos estarão em produção para serem disponibilizadas em concessionárias nos próximos meses. 

O novo I-Pace pode purificar o ar da cabine antes de cada uso (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte
O novo I-Pace pode purificar o ar da cabine antes de cada uso (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Antivírus
As fabricantes de veículos já estão oferecendo soluções que levam em conta a higiene de seus modelos. A linha 2021 do SUV Jaguar I-Pace, por exemplo, contará com um purificador de ar na cabine.

Nos últimos meses, a Jaguar Lande Rover fez testes usando luz ultravioleta para impedir a disseminação de vírus e bactérias no interior do veículo. 

Diferentes pesquisas realizadas nos últimos anos comprovam que regiões bastante manuseadas, como volantes, câmbios e maçanetas, têm um potencial de acumular tantas bactérias quanto o interior de um banheiro ou uma tampa de lixo. 

Para piorar, uma pesquisa conduzida com 1 mil motoristas americanos revelou que 32% deles quase nunca se preocupam em limpar o interior do veículo — 12% dos entrevistados não cuidaram disso nem uma única vez. 

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