Ford é questionada pelos próprios funcionários a repensar sua relação com a polícia dos EUA
Diferentes episódios de violência policial durante os protestos antirracistas no país deram início às discussões dentro da empresa
Por Thais Villaça
Após os inúmeros protestos antirracistas realizados nos Estados Unidos que marcaram a revolta da população com a morte de George Floyd, ocorrida no último dia 25 de maio na cidade de Minneapolis, executivos da Ford vêm recebendo pressões de funcionários para repensar o papel da empresa como fornecedora de carros para a polícia norte-americana.
O site Jalopnik teve acesso a uma carta na qual trabalhadores reforçam sua preocupação com o relacionamento próximo da montadora com os departamentos de polícia do país.
Como resposta, no início de junho, a empresa pediu sugestões aos empregados sobre como lidar com injustiças sociais e raciais.
“Não há dúvidas de que o peso desses desafios recai desproporcionalmente na comunidade negra”, afirmaram o CEO, Jim Hackett, e o presidente do Conselho da Ford, Bill Ford Jr. “Vimos essa disparidade entre os membros de nossa própria equipe afetados pela Covid-19 e o legado de disparidades econômicas em nossa cidade natal, Detroit. É uma dor que muitos de nossos funcionários sentem em seus cotidianos.”
Os executivos prometeram ainda iniciativas que ajudarão os empregados a se sentirem ouvidos e reconhecidos. “Não há respostas fáceis. Não estamos interessados em ações superficiais. É o nosso momento de liderar e nos comprometer a criar a cultura justa e inclusiva que nosso time merece.”
Uma das medidas já anunciadas pela empresa é aumentar seu orçamento destinado às mídias sociais em meio a pedidos de ação contra a desinformação e discursos de ódio.
A discussão na empresa vem se mostrando fervorosa. Uma parte dos funcionários quer que a Ford se envolva em ações construtivas que apoiem e melhorem a segurança policial.
Outros afirmam que a companhia deve atrelar de alguma forma a venda de veículos a planos de reforma policial ou aumentar medidas de segurança dos carros, com a adoção de câmeras, por exemplo, o que poderia coibir possíveis abusos.
A Ford é responsável por fornecer cerca de dois terços das viaturas para as agências policiais norte-americanas em praticamente todos os níveis governamentais.
Segundo o CEO Jim Hackett, não há planos para mudar isso, uma vez que o negócio é extremamente rentável para a montadora. Atualmente o Police Interceptor, baseado em um Explorer bastante modificado, é um dos veículos policiais mais populares dos Estados Unidos.
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