As táticas das marcas para terem boas notas no Latin NCAP
Troca de protocolo fez com que empresas adotassem diferentes soluções para garantir uma boa pontuação
Por Rodrigo RIbeiro
Prestes a completar dez anos, o Latin NCAP se tornou referência quando o assunto é segurança em automóveis na América Latina. Os crash-test feitos pela ONG já viraram manchetes por conta do excelente resultado de alguns veículos e, infelizmente, pelo desempenho ruim de tantos outros.
Como ocorre com a legislação de emissões, as regras dos diferentes NCAP espalhados pelo mundo vão se tornando cada vez mais rígidas com o passar dos anos, e no Brasil não é diferente: a partir de 1º de janeiro será adotado o terceiro e mais difícil protocolo de avaliação dos carros.
Obter a nota máxima nos testes será mais difícil do que nunca. Além de ir bem nas provas de colisão, os carros também precisam estar equipados com alguns dos mais modernos itens de segurança ativa e passiva, e avaliações dinâmicas, como teste do controle de estabilidade e a temida prova de desvio do alce passam a ser incluídos na avaliação.
Essa mudança de regras provocou uma correria entre as fabricantes para fazer testes patrocinados, quando o Latin NCAP compra os carros e é reembolsado posteriormente pelas empresas.
Só no segundo semestre deste ano foram avaliados 21 dos 27 carros que passaram pelo crivo do órgão em 2019.
A enxurrada de provas garante cinco estrelas, a nota máxima, de muitos modelos que poderiam não lograr o mesmo êxito ano que vem. Neste clube faz parte, por exemplo, o novo Chevrolet Onix.
Além dessa tática — perfeitamente legal, diga-se —, uma marca em especial adotou uma estratégia ainda mais exótica. Para assegurar uma pontuação boa para o novo Duster, a Renault, como diz o jargão popular, jogou com o livro de regras sob os braços.
A empresa fez o seguinte: repassou ao Latin NCAP um Duster fabricado na Romênia que seria enviado ao Chile.
O teste de carros que ainda não foram lançados é permitido, desde que seja feita uma nova série de avaliações com uma segunda unidade após o carro chegar ao mercado.
Este teste de revalidação será feito em 2020, com um Renault Duster fabricado em São José dos Pinhais (PR). E aí é que está a sacada: se o SUV brasileiro obter o mesmo resultado do romeno, o que é altamente provável, ele manterá a nota de quatro estrelas, tendo como base o protocolo atual. Afinal, o primeiro teste aconteceu em 2019, sob o regime antigo de regras.
Fontes do Latin NCAP discordaram da tática da Renault, mas reconhecem que não há nada de irregular nos procedimentos feitos pela empresa. Além disso o órgão mantém o radar ativo sobre todos os modelos avaliados.
Se há retirada de equipamentos de segurança, por exemplo, o modelo pode ser “rebaixado”. Isso, inclusive, aconteceu recentemente com o Volkwagen Up! europeu, que deixou de oferecer frenagem autônoma de emergência (EAB) como item de série.









