Porsche 911 GT3 completa 20 anos como um carro de corrida para as ruas
Modelo foi a primeira versão na história da Porsche e ser desenvolvida pela Motorsport, departamento de corrida da marca
Por André Schaun
A batida expressão de que um determinado "esportivo é praticamente um carro de pista que roda nas ruas" não é exagero no caso do Porsche 911 GT3. Lançado há 20 anos, o cupê foi criado de acordo com as regras da categoria GT3 da FIA (Federação Internacional do Automóvel). E fez história.
A versão histórica foi desenvolvida pelo bicampeão mundial de rali, Walter Röhrl, o engenheiro de corrida, Roland Kussmaul, e os especialistas da Porsche Motorsport de Weissach – centros de desenvolvimento da marca. A proposta do 911 GT3, inspirado no GT1 de Le Mans, era trazer a agilidade das pistas de corrida para a estrada.
Na época, o lançamento gerou muita euforia. Ter um carro das pistas na garagem de casa era um sonho antigo dos entusiastas. E o GT3 e suas variantes era uma forma de homologar os carros de pistas — para manter um parentesco com os modelos de corrida e de pista, a FIA exigia em alguns casos o lançamento de versões civis.
O Porsche tinha um motor 3.6 aspirado de 360 cv de potência a 7.400 rpm. Em regimes elevados, o boxer alcança um ronco metálico capaz de calar os espectadores na arquibancadas dos autódromos. Além disso, o propulsor tinha toques vindos das competições, exemplo do sistema de cárter seco, uma solução que deixa o óleo circular pelo motor em todas as situações.
Na época, automatizados e automáticos eram raros entre os superesportivos (a Ferrari F355 era uma das raras opções). O 911 GT3 apelou para um tradicional câmbio manual de seis marchas vindo do GT2 993 (a última geração refrigerada a ar). O zero a 100 km/h era cumprido em menos de 4,8 s e a velocidade máxima encostava nos 300 km/h. Números impensáveis até então em um 911 aspirado.
Na mesma hora, o 911 GT3 tornou-se a besta fera do circuito alemão de Nürburgring ao completar os 20,8 km de extensão em menos de 8 minutos. Nem por isso deixou de ser civilizado o suficiente para se deslocar pelas ruas das cidadezinhas alemães: os 36,7 kgfm de torque chegam por inteiro a 5.000 rpm.
A dinâmica é inacreditável até hoje: o superesportivo tinha suspensão três centímetros mais baixa e permitia regulagens na geometria e amortecedores. Os freios eram enormes e mais resistentes à fadiga.
Se o proprietário fosse daqueles totalmente devotados aos circuitos de corrida, ele poderia optar pela versão Clubsport, que já vinha com santoantônio interno. E o carro de competição ainda ganhou versões que não rodavam na rua, exemplos do GT3 R e GT3 RSR.
Não existe propaganda maior para um esportivo do que sua versão de pista vencer provas. Desde então, o GT3 conquistou inúmeras vitórias nas principais corridas de endurance do mundo, incluindo as 24 Horas de Spa, as 24 Horas de Daytona e as 24 Horas de Nürburgring — prova que venceu sete vezes —, além da vitória nas 24 Horas de Le Mans em 2018, mas com o 911 RSR, que teve como base o GT3. Sem falar da Porsche GT3 Cup, categoria própria que faz sucesso até hoje.
O GT3 passou por aperfeiçoamentos importantes ao longo dos 20 anos de carreira. Em 2003, o motor boxer passou a entregar 381 cv graças ao novo comando de válvulas variável. Em 2007, o 996 GT3 passou por um facelift e virou 997. O propulsor original chegou a 415 cv, cavalaria que saltou a 435 cv em 2009. Em 2011, o 3.8 foi ampliado para 4.0 e tocou nos 500 cv. O zero a 100 km/h baixou para menos de 4 segundos e a velocidade máxima ultrapassava 300 km/h.
Quando o Porsche 911 completou meio século de vida, em 2013, a quinta geração do 911 GT3 celebrou a sua estreia mundial justamente no Salão de Genebra. Motor, câmbio e o chassi eram completamente novos.Consistia em um motor 3.8 aspirado com 475 cv, 45 kgfm de torque, e, pela primeira vez, um câmbio PDK com transmissão de dupla embreagem e sete marchas.
A maca diz que o segredo do sucesso do modelo nesses 20 anos é que, cerca de 80% de todos os 911 GT3 produzidos, são testados em pistas de corridas. Na atual geração, o motor é um 4.0 aspirado que entrega 500 cv de potência, torque de 46,9 kgfm e o câmbio pode ser tanto manual de 6 marchas quanto PDK de dupla embreagem e 7 velocidades.
Existe ainda a opção ainda mais potente, o 911 GT3 RS, com o mesmo propulsor, mas que despeja 520 cavalos e pesa ainda menos. Ele é capaz de ir aos 100 km/h em apenas 3,2 s e toca nos 312 km/h. Aqui no Brasil as duas versões são vendidas, com os respectivos preços que parte de R$ 813,642 e R$ 1,242 milhão. Em pensar que a nova geração está próxima de chegar às ruas. E nem precisa dizer que ele será mais rápido, mais emocionante e, claro, mais caro.
Acompanha tudo de Auto News Brasil? Agora você pode ler as edições e matérias exclusivas no 3PWEB Mais, o app com conteúdo para todos os momentos do seu dia. Baixe agora!









