Fiat e Jeep terão motores 1.0 e 1.3 turbo a partir de 2020
FCA anuncia novos propulsores para as linhas de ambas marcas. Fábrica de Betim (MG) recebeu R$ 500 milhões de investimento
Por Diogo de Oliveira; de Betim (MG)*
O legado da Fiat com motores turbo terá um novo capítulo. A FCA anunciou nesta quarta-feira (22) a aplicação de R$ 8,5 bilhões no Brasil — R$ 500 milhões apenas na fábrica de motores de Betim, Minas Gerais, para a produção dos Firefly 1.0 e 1.3 em versões turbo. Ambos começam a ser produzidos no final de 2020 e serão lançados comercialmente logo no início de 2021.
Tal como Auto News Brasil vem noticiando desde 2017, os novos motores da família GSE (Global Small Engine) servirão a diversos modelos das marcas Fiat e Jeep. A estreia será em 2020, já com vistas ao programa Rota 2030, que dará benefícios fiscais aos fabricantes que superarem as metas estabelecidas de eficiência energética.
Para quem não se lembra, à exceção da picape Toro com motor diesel, os últimos Fiats nacionais turbo foram os hatches Punto e Bravo. O 1.4 16V T-Jet não dispunha de tecnologias como injeção direta e comando variável de válvulas, mas deixou muitos fãs da marca com saudades. Eram 152 cv e 21,1 kgfm livres entre 2.250 e 4.500 rotações (0-100 km/h em 9,5 s). O porém é que o motor vinha importado da Itália e só bebia gasolina.
Por isso, desta vez tudo será diferente. Para começar, os GSE turbo serão nacionais e terão novo cabeçote com coletor de escape integrado e quatro válvulas por cilindro — e não duas, como nas unidades de aspiração natural. O 1.0 6V passará a 12 válvulas, e o 1.3 8V terá 16 válvulas.
Além disso, ambos contarão com o sistema MultiAir de variação da abertura das válvulas de admissão, comando acionado por corrente (para manter a alta durabilidade) e sistema de injeção direta, algo inédito nos motores flex da marca.
Em rendimento, os Firefly turbo ficarão muito próximos dos motores TSI da rival Volkswagen. O 1.0 12V T3 (código interno para designar “turbo de três cilindros”) será capaz de gerar cerca de 120 cv de potência e 20 kgfm de torque — é quase a mesma energia gerada pelo 200 TSI que serve a Polo, Virtus e T-Cross: 128 cv e 20,5 kgfm.
Já o 1.3 16V T4 (“turbo de quatro cilindros”) terá duas faixas de potência e equipará principalmente a gama Jeep — incluindo o futuro Compass de sete lugares, aguardado para 2021. Serão cerca de 150 cv na base, e o mais potente chegará a 180 cv e 27 kgfm. Só a título de comparação, o 1.4 TSI da alemã rende 150 cv e 25,5 kgfm. E acima dele vem o 2.0 TSI, um motor muito mais forte, com 230 cv e 35,7 kgfm, que serve ao Golf GTI e ao Tiguan R-Line.
Importante destacar que os novos GSE turbo vêm para somar. A base da gama seguirá com os atuais Firefly aspirados, enquanto o topo manterá o veterano 1.8 Etorq (139 cv e 19,2 kgfm).
Os únicos motores que devem sair de linha nos próximos anos são os velhos 1.0 e 1.4 Fire Evo, que não devem mais receber atualizações e irão durar no máximo até 2023, quando o Proconve L7 imporá regras mais rígidas de emissões.
Quais carros vão receber os novos motores?
A Fiat confirmou que lançará dois ou três derivados do protótipo do Fastback, conceito apresentado no Salão do Automóvel. Os novos modelos vão inaugurar a oferta de SUVs da marca italiana, uma vez que apenas a Jeep concorre neste filão no Brasil.
Modelos como Mobi, Uno e Argo seguirão equipados com o 1.0 tricilíndrico de 6 válvulas aspirado de 77/72 cv e 10,9/10,4 kgfm (com etanol e gasolina, respectivamente), enquanto Argo, Cronos e futuros modelos terão o 1.3 8V que rende 109/101 cv e 14,2/13,7 kgfm.
Além dos novos crossovers, a FCA já confirmou uma nova picape. Os utilitários menores usarão a base do Argo/Cronos, o que os torna aptos a receber os motores turbo.
Na gama Jeep, Renegade e Compass usarão o 1.3 turbo, que deverá ser acoplado ao atual câmbio automático de seis marchas, fornecido pela Aisin — diferente da Europa, onde os propulsores são associados a um câmbio automático de dupla embreagem.
Algo que ajudará no desempenho dos motores turbo é a elevada taxa de compressão dos Firefly aspirados. Fica a expectativa em relação ao consumo. O inédito sistema de injeção direta flex deve fazer com que a economia de combustível seja até ampliada. Sem falar no uso do sistema MultiAir de controle das válvulas de admissão. Em suma, os turbo terão mais força em regimes iniciais e responderão com mais potência em alta.
Esperamos que os propulsores respondam bem antes dos 2 mil giros e mantenham seu patamar de força em um platô quase emendado no de potência máxima. O comando de válvulas MultiAir garantirá a entrega de força desde cedo. Com o 1.3 turbo, será possível voltarmos a ter um esportivo compacto como o Uno R do passado. Sem falar em um Argo mais forte que o atual HGT 1.8 de 139 cv.
Inicialmente, a FCA trata os novos motores como GSE Turbo, mas eles podem ter um novo nome de mercado. É mais ou menos como aconteceu com o Firefly. Ambos propulsores têm a mesma base dos utilizados na Europa, mas com sistema flex de injeção.
Uma curiosidade é que ambos poderão ser eletrificados futuramente, para servir aos modelos híbridos, caso dos Jeep Renegade e Compass, que já contam com o motor 1.3 turbo na Europa em versões híbridas.
Os 1.0 e 1.3 estrearam em setembro de 2016 no último facelift do Uno e se destacaram pelos índices de desempenho e eficiência, muito superiores aos antigos Fire. Com bloco de alumínio, a linha Firefly é modular e compartilha vários componentes entre as variantes de três e quatro cilindros, que dividem uma única dimensão de pistão e cilindro, por exemplo.
(Colaborou Julio Cabral)
*O jornalista viajou a convite da Fiat Chrysler Automobiles









