Quase 100 mil bicicletas compartilhadas devem chegar a São Paulo até o final de 2018
Nos últimos meses, a Prefeitura da cidade credenciou cinco empresas de aplicativos de compartilhamento de bicicletas na cidade
Por Caroline Sassatelli Com Tereza Consiglio
São Paulo entrou, definitivamente, na mira das empresas de compartilhamento de bicicletas. Até hoje, o projeto mais conhecido na cidade é o Bike Sampa, presente na cidade desde 2012 e que até 2016 atingiu cerca de 8% do território paulistano, contando com 259 estações e mais de 1.500 bicicletas.
A novidade é que, nos último meses, a Prefeitura da cidade credenciou cinco novas empresas que prestam esse serviço. Juntas, a Yellow, Serttel, Bikefacil, Mobike e Trunfo pretendem disponibilizar mais de 100 mil novas bikes até o final do ano.
Desde 2014, o sistema de bicicletas compartilhadas em São Paulo é garantido pelo Plano Diretor Estratégico como parte integrante do sistema cicloviário da cidade. Já sua regularização e outras especificações para exploração econômica pelas empresas interessadas é feita pelo decreto municipal 57.889/2017. Importante lembrar que, atualmente, o preço máximo que pode ser cobrado do usuário por viagem não pode ultrapassar o valor de duas passagens de ônibus, ou seja, R$ 8.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), a região da cidade com maior demanda de bikes compartilhadas é a central. Mas as áreas mais periféricas ainda sofrem com a grande carência desse serviço. Quanto ao perfil dos usuários, os homens ainda são maioria: eles representam 71% enquanto as usuárias mulheres são 29%. De todo o modo, ao longo desses anos, as bicicletas vem tomando cada vez mais espaço na rotina dos paulistanos.
Estação para quê?
A grande novidade é que algumas das novas empresas cadastradas credenciadas pela prefeitura usarão bikes que não precisarão de estação específica para serem devolvidas pelos usuários. De acordo com o decreto normativo, a única restrição é que elas não sejam deixadas em locais que prejudiquem a passagem de pedestres do transporte urbano.
A Mobike é uma das empresas que têm essa proposta. Presente em mais de 200 cidades de 15 países do mundo, a marca é forte na China e deve chegar ao Brasil até o final do ano. Apostando na localização das bikes por GPS, a ideia é que o serviço seja disponibilizado por aplicativo de smartphone. O usuário cadastrado receberá seu QR Code no próprio dispositivo e, com ele, poderá destravar o cadeado do veículo. O serviço tem seu funcionamento semelhante às plataformas de compartilhamento de carros.
“Para que as cidades sejam realmente inteligentes é preciso não apenas inovações e melhorias, mas um plano de compartilhamento econômico interligado ao trânsporte público que seja capaz de poupar o uso de trens e ônibus”, declara Chris Martin, vice-presidente de expansão internacional da Mobike.
Segundo o executivo, a ideia é que as bikes compartilhadas sejam usadas pelo maior número de pessoas ao longo do dia. “Assim, os usuário usem as bicicletas principalmente para percorrer distâncias menores, como para ir à estação de metrô. Isso otimiza o seu tempo”, diz Martin.
É claro que é inevitável pensar sobre a possibilidade das bicicletas serem furtadas, já que os ciclistas poderão deixá-las em qualquer local da cidade. Porém, de acordo com a própria Mobike, isso já é esperado. Por isso a ideia é trazer à cidade o maior número possível de exemplares, além de investir em peças mais difíceis de serem desmontadas e revendidas.
Com essa plano desenhado, a Mobike pretende começar a trazer suas bicicletas no próximo semestre para São Paulo, porém, ainda não divulgou quantas bikes serão disponibilizadas na cidade. A empresa também contará com uma equipe responsável por recolher os veículos com defeito e monitorar sua localização. “É muito valioso para nós poder trabalhar em conjunto com a administração da cidade, pois podemos dividir dados sobre criminalidade e vandalismo em São Paulo e ajudar a identificar possibilidade de melhorias na estrutura, inclusive sobre a necessidade de ciclofaixas”, comenta Chris Martin.
Invasão amarela
Outra empresa que também está chegando em São Paulo e quer espalhar suas bikes pela cidade sem a necessidade de estações específicas é a Yellow. Na liderança da empresa estão Eduardo Musa, que esteve à frente da Caloi por mais de 15 anos, Ariel Lambrecht e Renato Freitas – fundadores da 99, aplicativo de mobilidade urbana e primeira startup unicórnio brasileira.
A ideia é colocar nas ruas entre julho e dezembro deste ano mais de 20 mil bicicletas, porém, a longo prazo, a pretensão é ainda maior: aumentar sua frota para 100 mil. As bicicletas são feitas para aguentar o impacto do uso constante. Os quadros são aço serão mais baratos e mais resistentes, e o pneu, sem câmara de ar, reduz o custo com manutenção, já que ele não fura.
As magrelas terão um funcionamento parecido com a da empresa concorrente, equipadas de cadeados inteligentes que só serão desativados por meio de QR Code, além de sistema de GPS que ajudará o usuário a localizar a bike mais próxima. Além disso, uma equipe também ficará disponível para monitorar as bicicletas e levá-las à manutenção.
Renato Freitas, fundador responsável pela área de Tecnologia da empresa, ressalta a importância de São Paulo para a implementação inicial do projeto. “A cidade tem estrutura legal para bicicletas, um bom número de ciclovias e as pessoas já estão acostumadas com outros aplicativos de compartilhamento. Aqui existe uma cultura de bicicletas muito forte”, comenta o entrevistado. A ideia é avaliar a recepção do aplicativo na cidade paulistana e, dependendo do resultado, expandir para outros locais do país.
Ele também cita o foco nas chamadas “primeira e última milha” das viagens urbanas. A ideia é que as pessoas usem as bikes no primeiro e no último quilômetro de seus trajetos do dia a dia em vez de andarem a pé. “Esse projeto só consegue funcionar normalmente se houver dezenas de milhares de bicicletas nas ruas”, diz Freitas.
A Yellow também trabalhará em parceria com a prefeitura da cidade. Sobre o assunto, Renato diz: “A aproximação com o poder público traz bastante benefício, pois podemos melhorar a qualidade do serviço e deixá-lo mais seguro, rápido e barato para as pessoas”.
Para Freitas, o compartilhamento representa o futuro. “Hoje existe uma lacuna de disponibilidade de transporte e é uma tendência que as pessoas usem um transporte ativo”, diz ele, completando: “Um levantamento feito pela SPC Brasil e CNDL mostrou que para 79% dos brasileiros, o compartilhamento de bens torna a vida mais fácil e funcional e 68% se imaginam participando do consumo colaborativo nos próximos dois anos. A ideia é que se a pessoa usar a bicicleta, é um carro a menos na rua”.









