Mercedes-Benz 1929 ganha Concurso de Pebble Beach
Tido como o melhor evento de carros antigos do mundo, Concurso de Elegância na Califórnia premiou modelo criado por Ferdinand Porsche
Por Redação Auto News Brasil
Imagine um evento de antigos onde os carros são escolhidos a dedo e recebem um convite por carta. Assim é Pebble Beach, realizado neste final de semana em Monterey, Califórnia. O Concurso de Elegância é o maior evento da semana de clássicos. O prêmio Best of show foi vencido por um raríssimo Mercedes-Benz 1929 S Barker Tourer, restaurado há apenas uma semana. O mais curioso é quem projetou esse clássico: ninguém menos que Ferdinand Porsche.
O roadster S Barker Tourer foi enviado diretamente da oficina de Steve Babinsky, em Lebanon, Nova Jérsei, para a outra ponta do país. Ele estava há anos à espera da restauração. "Nós tínhamos esse carro faz muitos anos. A questão era restaura-lo ou não restaurar. Em sempre odeio restaurar algo que não tem necessidade. Mas finalmente encontramos fotos suficientes (do carro original) e chegamos a conclusão de que ele precisava ser restaurado", afirma Bruce McCaw, de Bellevue, Washington. O carro foi entregue originalmente aos cuidados de um tal de Capitão Miller, representante de Earl Howe, fundador do clube de pilotos da Inglaterra.
Valeu a pena o esforço e correria, o principal prêmio é algo que coroa um clássico para sempre. O Concours d’Elegance reuniu 204 carros de 15 países e 31 estados americanos, em um total de 54 competidores que nunca haviam inscritos seus clássicos no concurso. O segundo lugar ficou para uma Ferrari 315 S Scaglietti Spyder 1957 (última foto).
Como o nome indica, a Barker Coachwork fez a carroceria. Até o pós-Segunda Guerra Mundial, os fabricantes de altíssimo luxo apenas entregavam os chassis e mecânica montados, o resto do serviço era feito de maneira personalizada pela encarroçadora escolhida pelo afortunado proprietário. E que serviço!
Feito de alumínio moldado à mão, o corpo do Mercedes manteve o tom polido do material original na cobertura do motor. A carroceria tem formato torpedo, ela estreita depois dos bancos até formar uma ponta aguda e nem tem portas, apenas recortes cobertos por chapas. Por lembrar um barco, esse tipo de traseira tem o nome de boat tail. O tom azul foi inspirado por um vestido de penas de pavão do século XIX. A falta de espaço foi driblada como deu. Abaixo das “portas”, estojos em forma aerodinâmica levam ferramentas e ficam perfeitamente integrados ao conjunto. Já a bagagem vai em um charmoso suporte atrás da cabine.
“Esse Mercedes-Benz S Barker Tourer é a combinação de velocidade, estilo e força”, disse Sandra Button, chairman do concurso. “De alguma forma, esses três elementos - junto com as fantásticas laterais torpedo -, se tornaram a própria definição de elegância.
O Mercedes-Benz S de 1927 nasceu como futuro clássico como quase todo supercarro de estirpe. Pense nele como o Bugatti Chiron daquela época, ainda não abatida pela quebra da Bolsa de Nova Iorque, em 1929. Até então, os carrões mais caros da Mercedes-Benz eram voltados aos milionários interessados em desfilar pelas ruas e estradas. Não lhes faltava motor, mas um novo chassi e suspensões seriam necessários para triunfar nas pistas. Algo que o gênio de Ferdinand Porsche poderia resolver.
Bem antes de criar a sua própria marca, o projetista trabalhava para outros construtores. Ele criou um chassi mais curto e baixo, além de ampliar o motor a 6,8 litros. Compressores mecânicos já eram usados pela Mercedes-Benz com sucesso, o que ajudou a conseguir até 180 cv, potência que ultrapassaria 225 cv em poucos anos. A velocidade máxima de 175 km/h também seria ampliada, embora fosse o suficiente para competir apenas com os Bugatti e Bentley em fôlego. Os SSK, últimos Mercedes feitos por Porsche, chegam a custar bem mais de R$ 20 milhões em leilões.









