Clássico do dia: Honda Civic VTi
Modelo de 20 anos atrás já tirava 160 cv de um 1.6 16V aspirado e até hoje é adorado pelos fãs
Por Julio Cabral
Entre os últimos lançamentos nacionais, alguns hatchbacks se destacaram por adotarem motores 1.6 16V de rendimento superior ao dos antigos. O Ford New Fiesta, por exemplo, tem bons 130 cv com etanol. O que dizer então de um modelo de 20 anos atrás que tirava 160 cv da mesma litragem? Era o Honda Civic VTi, esportivo que chegou a ser trazido oficialmente para o Brasil e que, até hoje, tem um séquito de seguidores fiéis. A pequena jóia japonesa chegou junto com a quinta geração do Civic de 1991, que desembarcou por aqui em 1992. O estilo arredondado chamava mais atenção pela ausência de uma grade definida do motor.
Dentro daquele cofre estava o B16A2, propulsor que é reconhecido abertamente pela sua sigla, tal como os mais populares V8 americanos. Havia sido apresentado ao mundo ainda na geração anterior do modelo, em 1989, quando surpreendeu pelo uso de tecnologias que a marca havia desenvolvido para os seus monopostos de Fórmula 1. A principal era o uso de comandos variáveis de válvulas em abertura e fechamento. Na prática, o motor tinha dupla personalidade. Até 4.500 rpm era um multiválvulas esforçado, mas assumia a sua porção raivosa a partir daí para chegar aos 160 cv a 7.600 rpm, o que o tornou o aspirado de produção mais potente do mundo - depois a Ferrari F355 tomaria essa posição em 1994 cobrando um preço caríssimo por isso. O torque de 15,3 kgfm vinha aos 7 mil giros. O câmbio de cinco marchas tinha engates macios para tirar o melhor desse comportamento em alta. Com pouco mais de 1 tonelada, o hatch ia aos 100 km/h em 7,5 segundos e chegava aos 212 km/h, de acordo com informações oficiais.
O comportamento dinâmico era exemplar: escorado em rodas aro 15 e pneus 195/55, o Honda Civic VTi contava com suspensão por duplos braços triangulares nas quatro rodas. O esquema independente era semelhante ao usado por muitos carros de pista, uma receita que a Honda havia modificado um pouco e adaptado na quarta encarnação do modelo. Completavam o pacote os freios a disco ventilados com ABS. A geração retratada deixou de ser importada em 1995, mas o seu sucessor chegou logo depois e foi trazido até 1998. O Civic VTi até hoje não troca de mãos com facilidade por valores abaixo dos R$ 20 mil, pelo menos o dobro das tabelas. Quem quiser rodar com um pouco mais de vento no rosto pode optar ainda pelo CRX, variante com teto retrátil (eletricamente), coluna central targa e apenas dois lugares. É tarefa dura encontrar um hatch VTi original, mesmo que seja posando para fotos (o da foto abaixo foi personalizado pelo seu dono em detalhes como rodas, escapamento, símbolo, entre outros). Uma prova do apelo invejável desse Honda.
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