Teste: Hyundai HB20S 1.0 turbo
Versão turbinada do sedã parte de R$ 52.855 e traz novo câmbio manual de seis marchas
Por Michelle Ferreira
Ter um carro turbo nos anos noventa significava estar pronto para competir nas pistas. Mas hoje em dia significa algo muito mais racional: eficiência energética, ou seja, mais desempenho, menos poluição e mais economia de combustível. A fórmula vantajosa fez com que várias montadoras adotassem o turbo em seus carros no Brasil: Volkswagen, Chevrolet, Honda e por aí vai. Em abril, a Hyundai também decidiu entrar na onda com o HB20S 1.0 Turbo.
O 1.0 três cilindros turbo flex de 12 válvulas entrega 105 cavalos de potência quando abastecido com etanol e 98 cv com gasolina e só está disponível nas versões intermediárias Comfort Plus (R$ 52.855) e Comfort Style (R$ 56.635), sem mudanças no pacote de equipamentos.
Ficamos uma semana com o HB20S 1.0 turbo em nossa garagem. Foi tempo suficiente para rodar na cidade, na estrada e para levá-lo para a nossa pista de testes. Veja como ele se saiu.
Impressões gerais
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Se for verdade, o HB20S se saiu bem em nosso primeiro encontro. A nova grade hexagonal com detalhes cromados, os para-choques dianteiro e traseiro redesenhados fizeram bem ao visual do sedã, que ganhou linhas mais modernas.
Já dentro do carro, a primeira coisa que chama a atenção é a tela multimídia. O rádio integrado ao painel central não possui tela sensível ao toque na versão testada - a Comfort Style. Na verdade, se você optar pelo motor 1.0 turbo, não poderá ter a nova central blueMedia com tela de sete polegadas, ela não é vendida nem como opcional. Mas há conexão bluetooth, streaming de áudio, MP3 player, conexões USB e auxiliar e comandos de áudio e telefonia no volante.
Conectei meu celular ao sistema, escolhi uma música e liguei o carro. No geral, a central é rápida e de fácil uso – precisei de pouquíssimo tempo para me adaptar a ela. Também foi simples achar um espaço para guardar minhas coisas - há um bom número de porta objetos com compartimentos pensado para óculos e copos. No geral, o interior do carro tem acabamento simples, mas moderno e bem finalizado – sem rebarbas.
O ajuste de altura do banco do motorista é algo que incomoda, já que ainda é feito por uma roldana que apenas inclina a base do assento. O fato é que o HB20 irá agradar quem gosta de dirigir baixo. Vale lembrar que na versão testada era possível ajustar altura e profundidade do volante, mas isso não pode ser feito na versão mais básica, a Comfort Plus.
Impressões ao volante
Logo ao sair da garagem, já deu para perceber que a força do motor 1.0 turbo iria me surpreender. O sedã tem fôlego de sobra, mas precisa que o motorista pise fundo no acelerador para entregá-la. Para trabalhar bem, o motor necessita estar em altas rotações, sempre perto dos três mil giros. Talvez por isso o modelo não tenha surpreendido no quesito consumo de combustível. Comparado ao irmão 1.0 aspirado, o turbo só tem melhores médias na estrada - 12,9 km/l contra 11,7 km/l. Na cidade, a média foi de 7,7 km/l contra 9,2 km/l da versão aspirada. Como comparação, os números de consumo do HB20S 1.6, de 128cv, na cidade são de 8,1 km/l e na rodovia, 11 km/l.
Os melhores resultados no trecho rodoviário é efeito do uso mais frequente da sexta marcha, uma das novidades da linha 2016. Além de reduzir o consumo, ela joga a rotação do motor para baixo, o que também diminui o barulho dentro do carro, principalmente na estrada. A 120 km/h, o sedã em 5ª marcha estabiliza nos 3.800 giros. Ao passar para a 6ª marcha na mesma velocidade, o giro do motor cai para 2.900 rpm. A manopla tem engate curto e preciso.
Outra diferença sentida na cidade e na estrada é o uso da direção hidráulica. O sistema funciona muito bem em trechos urbanos - o volante fica leve para manobras e baliza. O problema é que a mesma leveza é sentida na estrada, o que transmite sensação de insegurança em altas velocidades. Já o espaço interno é bom - o sedã tem 2,5 metros de entre-eixos e 473 litros de porta-malas. Há espaço para cinco ocupantes, já que o duto central é quase plano.
Pista de testes
Se no teste de consumo o HB20S 1.0 turbo decepcionou, o sedã surpreendeu na pista, com números muito bons se comparados à média do mercado para a categoria e ao HB20S 1.0 aspirado. Na prova de aceleração, quando o nosso piloto leva o carro ao limite para descobrir o tempo mínimo de 0 a 100 km/h, o sedã registrou bons 11,1 segundos. O modelo aspirado realizou o mesmo trecho em 15 segundos e o 1.6, em 10,2 segundos. A média do segmento é de 15,2 segundos.
A média de retomada do sedã turbo da Hyundai também foi boa. Nesse teste, nosso piloto simula o que seria uma ultrapassagem comum na cidade e conta o tempo que o carro leva para ir de 60 km/h até 100 km/h, com o pé no limite do acelerador. Quanto menos tempo o carro levar para atingir a velocidade, mais seguro está o motorista, que consegue fazer uma ultrapassagem mais rápida, por exemplo. O sedã turbinado levou 7,9 segundos para concluir a prova, o aspirado 13,5 e o 1.6, 9,7 – a média do segmento está em 14,1 segundos.
O sedã também se saiu bem no teste de frenagem. Durante a avaliação, fazemos com que o carro chegue a 100 km/h para então pisar fundo no freio, como em uma freada de emergência. A situação pode acontecer facilmente no dia a dia, caso um veículo quebre na estrada, por exemplo. A 100 km/h, o HB20S turbo precisou de 45,1 metros para parar. De acordo com Nilton Monteiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, o número do teste de variar entre 40 e 60 metros, sendo 40 um resultado muito bom e 60 um resultado péssimo.
Custo benefício
A versão que dirigimos, a Comfort Style, vem equipada com ar-condicionado, alarme, trio elétrico, computador de bordo, direção hidráulica, ISOFIX, ABS com EBD, bluetooth, MP3, entradas USB e auxiliar, volante com comandos de áudio, rodas de liga leve de 15 polegadas. Vale lembrar que o modelo não possui opcional, ou seja, não é possível adicionar a nova tela de sete polegadas sensível ao toque da marca. Também faltam alguns itens básicos, como acendimento automático dos faróis.
Vale a compra?
Sim. O HB20S turbo é uma boa opção para quem busca um motor potente em um modelo novo e bem equipado. O motor 1.0 turbo, apesar de não surpreender no quesito consumo de combustível, dá conta do recado. A versão intermediária vem bem equipada - evite a mais básica, que fica devendo itens como ajuste de profundidade do volante. O preço é, em média, R$ 2.600 mais barato do que o das configurações 1.6 e R$ 3.700 mais caro do que as equipadas com motor 1.0 aspirado.
Fotos: Hyundai HB20S 2016
Novo Hyundai HB20S
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Hyundai HB20S 2016
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*Preços atualizados em 06/12/2016
Ficha Técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 3 cil. em linha, 12V, comando duplo, turbo, flex
Cilindrada: 998 cm³
Potência: 98/105 cv a 6.000 rpm
Torque: 13,8/15 kgfm a 1.550 rpm
Câmbio: Manual de 6 marchas, tração dianteira
Direção: Hidráulica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus: 185/60 R15
Comprimento: 4,23 metros
Largura: 1,68 metro
Altura: 1,47 metro
Entre-eixos: 2,50 metros
Tanque de combustível: 50 litros
Porta-malas: 450 litros (fabricante), 473 litros (aferidos por Auto News Brasil)
Peso: 1.055 kg
Números de teste
Aceleração
0 - 100 km/h: 11,1 s
0 - 400 m: 17,7 s
0 - 1.000 m: 32,7 s
Vel. a 1.000 m: 161,8 km/h
Vel. real a 100 km/h: 98
Retomada
40-80 km/h (3ª): 5,6 s
60-100 km/h (4ª): 7,9 s
80-120 km/h (5ª): 11,1 s
Frenagem
100 - 0 km/h: 42,9 m
80 - 0 km/h: 26,2 m
60 - 0 km/h: 15,0 m
Consumo
Urbano: 7,7 km/l (Etanol)
Rodoviário: 12,9 km/l (Etanol)
Média: 10,3 km/l
Autonomia em estrada: 645 km









