Carlos Ghosn afirma ser vítima de conspiração e traição da Nissan
Brasileiro concedeu primeira entrevista desde sua prisão em novembro passado. Ele está detido por acusações de fraude e sonegação.
Por G1
Carlos Ghosn diz que foi vítima de conspiração e traição
Carlos Ghosn afirmou ser vítima de uma conspiração que levou à sua prisão e negou ser culpado. Em sua primeira entrevista desde que foi detido, em novembro passado, o brasileiro disse ao jornal "Nikkei" nesta quarta-feira (30) que as acusações foram "plantadas" contra ele por diretores da Nissan e que houve traição.
A entrevista durou cerca de 20 minutos e foi concedida dentro do centro de detenção de Tóquio, onde o ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi aguarda julgamento.
De acordo com Ghosn, executivos da Nissan que eram contra uma maior integração com a Renault foram os responsáveis pelo complô. O ex-presidente do conselho da montadora planejava aprofundar as relações dentro da aliança, da qual foi o idealizador. Rumores de uma possível fusão existiam desde o início do ano passado.
Ghosn disse que discutiu planos para integrar as companhias com o presidente-executivo da Nissan, Hiroto Saikawa, em setembro, dois meses antes de ser preso.
Na entrevista, o brasileiro alegou que queria incluir o presidente-executivo da Mitsubishi Motors, Osamu Masuko, nas negociações, mas Saikawa não concordou.
A Nissan não irá comentar as afirmações feitas por Ghosn nesta quarta, informou a agência Reuters. Em declarações passadas, Saikawa já havia rejeitado a ideia de que tenha havido um "golpe" contra Ghosn.
Na entrevista ao jornal japonês, Ghosn também negou que tenha sido "linha dura" no comando da aliança.
"As pessoas traduzem uma liderança forte como uma ditadura para distorcer a realidade. Seu objetivo é se livrar de mim", disse Ghosn.
Fraudes fiscais
Considerado até então um executivo "superstar" do setor automotivo, Ghosn é acusado de violações e fraudes fiscais envolvendo a Nissan, bem como do uso de recursos da empresa para benefícios particulares e para cobrir prejuízos em investimentos pessoais.
Não há previsão de que ele deixe a prisão. O brasileiro teve diversos pedidos de liberdade sob pagamento de fiança negados, o mais recente no dia 22 de janeiro.
Na semana passada, Ghosn renunciou à presidência da Renault, perdendo o último cargo que ainda detinha dentro de montadoras.
Ele já tinha afirmado anteriormente que é inocente e que agia com aprovação da diretoria da empresa.