Testamos o Audi RS Q3
O integrante mais potente da família Q3 desembarca no país por R$ 273.600, equipado com motor de 310 cv
Por Aline Magalhães
Após pegar um trânsito intenso, deixei escapar um sorriso de canto de boca quando vi que uma avenida completamente livre nos aguardava. Me ajeitei melhor no banco, empunhei o volante, sinal verde, pé direito fundo e lá fomos nós. E o sorrisinho virou sorrisão: que carro! Não podia esperar nada menos. Afinal, estava no comando da versão mais potente do Q3, o Audi RS Q3. À venda no Brasil desde junho por R$ 273.600, o modelo é a porta de entrada para a família RS, divisão esportiva da montadora alemã.
O porte de veículo familiar engana, mas se trata de um SUV singular. O Audi é alimentado por um motor 2.5 turbo, a gasolina, capaz de entregar 310 cv, disponíveis entre 5.200 e 6.700 giros. O torque é expressivo: 42,8 kgfm a 1.500 rpm, ou na primeira pisada no acelerador, se preferir. A fabricante informa que o RS Q3 alcança os 100 km/h em 5,2 segundos.
Em nossos testes, ele cravou 4,8 s, fazendo uso do sistema de largada (outra evidência da esportividade do modelo). Um de seus principais concorrentes, o Land Rover Evoque topo de linha pode até ser mais bonito, mas fica para trás quando o assunto é desempenho. No teste de frenagem a 100 km/h, por exemplo, o Audi leva vantagem em dois metros, percorrendo exatos 40 m. A retomada de 40 km/h a 80 km/h é de 2,4 s, 2 s mais rápida que a do oponente inglês.
Ainda que, caso tivesse grana, preferisse investir em um esportivo efetivamente com cara de esportivo, a veRSatilidade do RS Q3 para o dia a dia agrada e é um de seus pontos fortes. Com 2,60 metros de entre-eixos, acomoda bem a família inteira. O porta-malas, no entanto, não é lá grande coisa para um SUV: 356 litros.
Dirigindo com uma pegada mais mansa, o Audi entrega médias de consumo elogiáveis: 8,5 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada. O comportamento é praticamente irretocável, bem como as respostas do câmbio automatizado de sete marchas e dupla embreagem, com opção de trocas sequenciais por aletas atrás do volante de base reta. O sistema Audi Drive Select ainda permite que o condutor acerte a dinâmica de condução de sua preferência, adaptando itens como amortecedores e direção.
Mas no meio dessa pimenta toda, a lista de equipamentos não me agradou tanto. Fiquei surpresa ao notar que o modelo não tinha câmera para auxílio de estacionamento – há apenas sensores dianteiros e traseiros. Senti falta também do monitoramento de ponto cego, assim como outro detector de distância que avisa, com alerta sonoro e visual, quando você se aproxima em velocidade alta do veículo à frente. Em mimos, o Audi é escolado. A central multimídia traz navegador GPS integrado (com áudio em português de Portugal) e comandos de voz. A cereja do bolo é o sistema de som de alta qualidade da marca Bose, que só perde mesmo para o belíssimo e inconfundível ronco do propulsor de cinco cilindros do RS Q3.