Primeiro semestre tem aumento de 33% na venda de veículos, segundo a Anfavea

Setor tem recuperação forte em relação ao ano de 2020, mas ainda está bem longe dos picos do passado

Por Redação Auto News Brasil


Fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais Divulgação

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou hoje o resultado compilado do primeiro semestre do ano. Os números ainda não chegaram ao pico do passado, tampouco chegaram ao nível pré-pandemia, mas há uma tendência franca de recuperação.

“Superamos a marca de 1.148.000 unidades emplacadas, um aumento de quase 33% em relação ao primeiro semestre do ano passado”, afirma o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. Mas a própria Anfavea contextualiza esse momento ao lembrar que a base comparativa é baixa, uma vez que a crise já havia abatido a indústria no primeiro semestre de 2020.

Em relação à produção (não licenciamentos) foram 57,5% a mais que os 729 mil do mesmo período do ano passado, quando as fábricas chegaram a parar por até dois meses. Se comparado ao primeiro semestre de 2019, bem antes da pandemia, houve uma retração de mais de 300 mil unidades, ou 22%.

Entre os dados das vendas, há um que simboliza bem o movimento do mercado em direção aos utilitários. De acordo com a Anfavea, os SUVs já alcançaram a participação dos hatches no mercado e respondem por 39,4% dos emplacamentos, apenas 0,4% a menos.

Quanto ao número de trabalhadores da indústria automotiva, temos 102.700 pessoas, uma queda no nível de emprego em relação aos 104.100 funcionários de maio, uma diminuição de 1,8%.

A Anfavea comemora outros números. O setor de caminhões registrou um ótimo resultado, enquanto os ônibus também tiveram sua melhor marca de janeiro a junho desde 2019. A produção de caminhões chegou a 74,8 mil unidades no primeiro semestre, a melhor desde 2014.

Foram 55% de aumento na venda de caminhões (59 mil unidades) em relação ao primeiro semestre de 2020. Os leves e semileves respondem por 52% do mercado, contra 15% dos pesados. A Anfavea afirma que o bom desempenho do agronegócio e do e-commerce foram duas das principais razões que impulsionaram o momento. Já os ônibus responderam por oito mil veículos.

Iniciada no último trimestre do ano passado, a crise dos semicondutores abateu a indústria no mundo inteiro. Não foi diferente com o setor automotivo. De acordo com pesquisa da consultoria BCG divulgada na coletiva de imprensa, a indústria automotiva perdeu globalmente 3,6 milhões de unidades - pode ultrapassar os 5 a 7 milhões neste ano. É esperada a normalização do setor apenas no segundo semestre de 2022.

Já a América do Sul deixou de fazer 162 mil veículos desde o início da crise, indica o estudo da BCG, mas a Anfavea fez também uma estimativa que 85% desse total deve ser no Brasil, algo que ficaria entre 100 mil e 120 mil.

Essa redução já impactou a previsão da Anfavea para o ano inteiro. O número projetado de vendas de automóveis era de 1,85 milhão de unidades em janeiro, mas passou a ser 1,73 milhão na nova projeção, uma diminuição de 7%. O segmento dos carros foi o mais abatido pela crise dos semicondutores.

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