Renault: hora errada para Alaskan e muito cedo para falar em Arkana

Presidente da fabricante francesa no Brasil descarta ambos os modelos em curto prazo

Por Raphael Panaro


Renault Arkana inauguraria um novo segmento no Brasil (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

Durante o lançamento dos renovados Sandero, Logan e Stepway, batemos um papo com Ricardo Gondo, presidente da Renault no Brasil, para entender a situação de dois produtos que deram muito o que falar, sendo um deles até cotado para ser produzido por aqui: Alaskan e Arkana. O executivo, no entanto, jogou um balde de água fria em ambos. a nova geração do Duster estreia no ano que vem.

Sobre o utilitário cupê, o presidente da marca francesa é direto. Mesmo com os registros no  Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em fevereiro e vários rumores de que a produção seria em São José dos Pinhais, no Paraná, Gondo afirma que é “supercedo para falar de Arkana no Brasil”.

O utiltiário cupê tem base de Duster, mas visual é bem mais harmônico (Foto: Divulgação) — Foto: Auto Esporte

O executivo não deu pistas se o SUV lançado na Rússia vai inaugurar um segmento no Brasil. O Arkana exibe um caimento acentuado do teto que o caracteriza como cupê, além de uma linha de cintura alta e para-choques largos. Os elementos cromados estão na grade, nos faróis de LED (em forma de um grande "C") e ao redor das janelas.

Outra novidade é propulsor 1.3 turbo de três cilindros com injeção direta e potência na casa dos 170 cv, com torque superior aos 25 kgfm. Caso a produção no Paraná se confirme, esse motor deve se tornar flex.

Renault Alaskan tem base e motorização igual a da Nissan Frontier (Foto: Renault) — Foto: Auto Esporte

Sobre a Alaskan, Gondo diz que não é hora de lançar a picape média no Brasil. “O mercado de picapes no Brasil é grande e concorrido, com marcas de tradição. Quando vamos lançar qualquer produto no mercado, temos que colocá-lo em condições de ser um produto vencedor”, explica.

A decisão hoje é não (lançar a Alaskan no Brasil), principalmente pelo contexto da crise na Argentina e da volatilidade da moeda. Isso faz com que a competitividade do produto aqui não seja a ideal”, completa.

Porém, a picape não está totalmente descartada. “Estamos constantemente avaliando e discutindo porque, no dia em que a gente decidir lançar, queremos lutar forte nesse segmento. Não vamos lançar um carro por lançar”, finaliza

É possível que a Alaskan desembarque no Brasil já reestilizada. A picape apareceu pela primeira vez em 2016. Em 2020, o ciclo chega em sua meia-vida – período no qual geralmente as fabricantes renovam o fôlego – tanto visual quanto de conteúdo – de seus produtos.

Picape da Renault deve se distanciar da Frontier antes de estrear no Brasil (Foto: Renault) — Foto: Auto Esporte

Além da crise no país vizinho, outra explicação para esse adiamento é a própria picape em si. Esquecida em um canto no estande da marca no Salão de São Paulo em 2018, a Alaskan tem muito a ver com a Nissan Frontier. E não é para menos. Ambos os modelos – e também a Mercedes-Benz Classe X – foram concebidos em conjunto. E a Frontier está longe de ser a referência na categoria.

A Renault ainda tem o exemplo da Duster Oroch, que inaugurou o segmento de picapes compactas-médias, mas foi engolida pela Fiat Toro lançada posteriormente. A fabricante ainda vai pensar muito antes de colocar a Alaskan nas ruas brasileiras.

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