Pago o IPVA à vista ou devo parcelar?
Saiba em que condições é mais vantajoso parcelar o imposto em vez de quitá-lo
Por Maria Clara Dias (com Julio Cabral)
Já é rotina para os motoristas: início do ano significa cobrança de IPVA. O imposto, que é cobrado anualmente, pode ser dividido em até 3 vezes sem taxas adicionais ou juros.
O desconto para o pagamento em cota única é de até 10%, dependendo do estado. Em São Paulo, no entanto, o desconto é bem menor: 3% do valor. E um abatimento tão pequeno leva os proprietários a questionar a vantagem de desembolsar o dinheiro de uma vez só.
Para o economista e professor da FGV, Fábio Gallo, o pagamento à vista é quase sempre a melhor opção: “Vale a pena pagar à vista, mas sabemos que isso não é para todas as realidades”.
Ao quitar o imposto à vista, por menor que seja o desconto, há um abatimento. Matematicamente, é a forma menos custosa de se livrar desse encargo compulsório. Porém, isso só vale se o proprietário dispor do dinheiro para manter os demais gastos do mês em ordem.
O ideal, seja à vista ou parcelando, é pagar o IPVA dentro dos prazos estipulados para cada estado. Além de auxiliar no licenciamento anual do veículo, isso poupa o motorista de pagar multas e juros. No estado de São Paulo, por exemplo, a multa por dia de atraso é de 0,33%, podendo alcançar até 20% do valor do imposto.
Para Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper, não é recomendado que o proprietário busque por alternativas secundárias para obter o dinheiro para o pagamento à vista, como empréstimos ou crédito consignado: “Quando não tem dinheiro na conta, não vale a pena. Pois captar dinheiro de outro lado sempre é mais caro”, explica. “A regra é simples, se tem dinheiro no momento, pague com desconto. Mas se não tiver, parcele”.
Na prática, não vale a pena pedir empréstimo (que custa caro) para obter um desconto inferior ao custo do dinheiro emprestado. O único caso possível é se o negociante conseguir obter um empréstimo com juros inferior aos 10% de desconto no IPVA para pagamento à vista - e mesmo assim o esforço necessário para a operação só se justifica para veículos com valor venal alto.
O objetivo do desconto é justamente incentivar os motoristas a pagarem em apenas uma parcela. Sendo assim, se você tem dinheiro na conta, a melhor alternativa é pagar de uma vez. “Todos que se programam durante o ano devem, sem exceção, pagar o imposto em uma única vez e aproveitar o desconto” afirma Rocha.
Quando não há dinheiro suficiente em mãos para pagar o imposto em uma única cota, é o momento em que o parcelamento é a melhor alternativa.
(Desconto de) “3% à vista é uma economia financeira extraordinária”, ressalta Rocha. Para ele, não há nenhuma vantagem no parcelamento a não ser o fato de postergar sua dívida por não possuir o dinheiro integral no momento.
Ele também explica que o parcelamento não é proveitoso sob o ponto de vista de rendimento: “Parece um desconto pequeno, mas atualmente, não há nenhuma aplicação que compense a retirada de dinheiro todo mês a ponto de superar o desconto da cota única.”
IPVA venceu, e agora?
Não há uma única solução para essa situação. IPVA vencido significa arcar com o custo de juros e multa.
Por isso, caso não seja possível fazer o pagamento dentro das datas determinadas, a recomendação é que o proprietário decida a melhor maneira de se conseguir o crédito para pagar o imposto e interromper os juros e multas o mais rápido possível e também dos problemas que o atraso pode causar na documentação e licenciamento do veículo: “Conseguir o crédito de alguma forma ajuda a não ficar com o carro em situação irregular, essa deve ser a maior preocupação do motorista”, explica Gallo.
Em um cenário em que o motorista está endividado e mesmo após a data de vencimento da terceira parcela, em março, ainda não houver pagado nenhum valor, é melhor permanecer com a dívida correndo juros, do que envolver em captação de recursos em empresas ilegais ou de crédito pessoal. "Não é barato, colocando na ponta do lápis, é na realidade, muito caro”, alerta o especialista.