Assistimos a Batman vs Superman: A Origem da Justiça
Boas cenas de ação, Mulher Maravilha e base para a Liga da Justiça são os destaques do filme; estreia acontece nessa quinta-feira (24)
Por Thuany Coelho
Hollywood foi tomada por super-heróis nos últimos anos e, além dos bilhões de dólares em bilheteria, eles levaram catástrofes planetárias a outro nível no cinema. Fica difícil até elencar filmes do gênero que não têm pelo menos uma grande batalha com danos materiais e humanos enormes. Mas seria isso só culpa dos vilões? Bruce Wayne (Ben Affleck) acha que não em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, que estreia nos cinemas brasileiros nessa quinta-feira (24).
E a opinião é compartilhada por parte das pessoas de Metrópolis. Depois de um incidente com resultados trágicos, o Super-Homem (Henry Cavill) começa a ser questionado por (quase) todo mundo sobre até que ponto seus poderes devem ser utilizados sem nenhum controle. Claro que o Batman - que de "super” tem a conta bancária - mostra uma posição bem forte contra confiar em seres de outro mundo que podem a qualquer momento dizimar os humanos.
E é esse debate que leva boa parte do filme e faz o cavaleiro das trevas se virar contra o homem de aço. Até aí, tudo bem, esse é o título da produção, afinal. O problema é que em alguns momentos fica difícil acreditar na motivação de Bruce Wayne e a rixa com o herói de outro planeta soa como hipocrisia e preconceito. Não que Clark Kent também não questione os métodos do rival morcego, que, no longa, aparece muito mais violento do que em outros filmes.
Mas, apesar dos personagens principais mostrarem lados pouco “dignos” de um herói convencional, fique tranquilo que o filme tem seus “vilões de verdade” e boas cenas de luta. Isso porque, enquanto estão muito ocupados um com o outro, Batman e Superman abrem espaço para que Lex Luthor (Jesse Eisenberg) orquestre um elaborado plano que coloca - mais uma vez -, todo mundo em risco.
Mas, mais do que mostrar o embate entre Batman e Superman, a produção serve para dar início ao universo cinematográfico da DC Comics e criar a base para Liga da Justiça, que estreia ano que vem e também será dirigido por Zack Snyder. E, nesse quesito, consegue criar uma boa expectativa em torno dos futuros membros da equipe com um teaser interessante. Enquanto a rival Marvel entrará na fase três de seu mundo nos cinemas com Capitão América: Guerra Civil (em mais um embate de heróis), a DC começa atrasada, mas disposta a compensar o tempo perdido. Serão pelo menos mais nove filmes até 2020.
Mas e Ben Affleck? É impossível não dedicar um espaço ao Batman do ator, que foi muito criticado quando a escolha foi anunciada. Tanto que alguns fãs chegaram a criar uma petição para que ele fosse removido do papel. A Warner decidiu mantê-lo e ele não decepciona. Seu cavaleiro das trevas é crível - o físico de Affleck faz você acreditar que ele poderia estar por aí aterrorizando criminosos - e o ator consegue passar bem o lado sombrio, sofrido e cansado do Bruce Wayne já com alguns cabelos brancos. O mesmo não dá para dizer de Henry Cavill, que volta a interpretar o homem de aço depois do filme de origem em 2013. Com a mesma postura e expressão em quase todo o longa, não há como elogiar a atuação.
Batman vs Superman ainda tem bons personagens secundários como Perry White (Lawrence Fishburne), o chefe do Planeta Diário, e Alfred (Jeremy Irons), o fiel escudeiro de Bruce Wayne, que podem ser considerados os alívios cômicos do filme. Amy Adams e sua Lois Lane, porém, parece que está no filme apenas para ser salva. De novo e de novo.
Mas o grande destaque fica mesmo com a Mulher Maravilha. Apesar de não ser creditada no título do filme, é a identidade secreta de Diana Prince quem rouba a atenção na produção. A personagem não chega só na hora de salvar o mundo - como era esperado - e, ao aparecer com o uniforme da heroína, arrancou até palmas na exibição para a imprensa. A participação mostra que a escolha da pouco conhecida Gal Gadot para o papel foi certeira e só aumenta as expectativas para seu filme solo, que deve chegar aos cinemas em junho de 2017.
Para quem adora acompanhar a evolução do Batmóvel, ele está lá, mais pronto para a guerra do que nunca, considerando seu estilo de tanque militar. Até o Jeep Renegade ganha seus minutos de fama no longa ao mostrar uma versão - mais potente - que ajuda Bruce Wayne no começo do filme. O bilionário de Gotham ainda mostra bom gosto ao ter em sua frota (que não deve ser pequena) um Aston Martin DB Mark III 1958, modelo que já foi dirigido por James Bond no livro 007 contra Goldfinger.
Batman vs Superman também vale a ida ao cinema por suas boas cenas de ação, história amarrada e uma trilha sonora que ajuda a criar o clima. Nesse ponto, destaque para a sequência com música de Junkie XL, o mesmo responsável pelo som de Mad Max: Estrada da Fúria (e, acredite, você saberá exatamente qual o momento). Assista ao trailer: