Grupo VW confirma sete modelos da Volkswagen, Audi e Porsche com motor 3.0 fraudado
Vendas dos modelos estão suspensas nos Estados Unidos e não há prazo para serem retomadas; reparos custarão cerca de R$ 197 milhões
Por Redação Auto News Brasil
Depois de ter confirmado às autoridades norte-americanas que também fraudou 85 mil carros com motor 3.0 V6 diesel desde 2009, o grupo Volkswagen detalhou quais sãos os novos modelos afetados. No total, são sete carros das marcas Volkswagen, Audi e Porsche, todos fabricados entre 2009 e 2016. Essas unidades se somam às 11 milhões inicialmente confirmadas pela gigante alemã e às mais de 430 mil unidades diesel e gasolina posteriormente adicionadas à lista. Apenas as providências necessárias para reparar mais esses 85 mil carros deve custar à Audi cerca de 50 milhões de Euros, o equivalente a R$ 197 milhões na cotação atual.
Segundo comunicado público da Audi, o motor 3.0 V6 diesel fraudado foi desenvolvido pela própria empresa e equipa as unidades do A6, A7, A8, Q5 e Q7 que foram vendidos nos Estados Unidos desde 2009. Já a partir de 2013, a Volkswagen equipou unidades do Touareg com o propulsor, enquanto a Porsche usou o mesmo motor no Cayenne. As vendas dos carros com o motor em questão estão voluntariamente suspensas nos Estados Unidos e não há prazo para que elas sejam retomadas. Apesar de todos esses carros serem vendidos no Brasil, apenas as versões com motor a gasolina são importadas para o nosso mercado.
No texto, a empresa também deu mais detalhes sobre o que foi explicado às autoridades que investigam o caso. Os softwares investigados são conhecidos como "dispositivos auxiliares de controle de emissões" (AECD, na sigla em inglês) e "não foram suficientemente descritos e declarados no documento de aprovação norte-americano". Ou seja, quando as empresas começaram a vender os carros 3.0 V6 nos Estados Unidos, as autoridades não foram informadas sobre a existência dessa tecnologia. Agora, o grupo terá que atualizar este software e a documentação dos carros.
A Audi confirmou que há três tipos de AECDs que não foram declarados durante o procedimento de homologação dos carros no mercado norte-americano. Um deles é relacionado ao ajuste de temperatura do sistema de emissão de gases, enquanto os outros dois previnem que hidrocarbonetos não queimados se depositem em determinadas partes do sistema mecânico do carro. No comunicado oficial, a montadora diz que só o primeiro AECD "é considerado um dispositivo manipulador de acordo com a legislação dos Estados Unidos".
Daqui em diante, a empresa alemã se comprometeu a contribuir com as investigações "de maneira completa e transparente". Além disso, garante que está desenvolvendo uma atualização para regularizar o dispositivo criticado pelas autoridades reguladoras. Apesar as manipulações "todos os modelos afetados continuam seguros", segundo a marca.
Entenda o caso
Desde meados de setembro, a Volkswagen tenta contornar a maior crise de sua história. Isso porque a EPA, órgão norte-americano que fiscaliza as legislações ambientais, identificou que 11 milhões de carros da empresa equipados com motores 1.2, 1.6 e 2.0 turbodiesel da família EA 189 contam com um software que diminui o nível de emissão de poluentes durante os testes regulatórios. Assim, a Volks informava às autoridades que seus carros emitiam menos gases tóxicos do que acontecia na realidade. No final de outubro, a Volkswagen do Brasil confirmou que o motor 2.0 diesel da picape Amarok vendida no Brasil também foi fraudado e anunciou uma campanha de reparo para o início de 2016.
O escândalo levou à renúncia do então CEO do grupo, Martin Winterkorn, e a um corte de 1 bilhão de euros por ano nos investimentos do grupo. Estimativas apontam que o escândalo custará à empresa mais de R$ 28 bilhões.
Em outubro, a EPA anunciou que os motores 3.0 da Volkswagen, Audi e Porsche também estão envolvidos no esquema de fraude de emissões de poluentes. Segundo comunicado, as empresas teriam fraudado mais 10 mil carros além do que se tinha conhecimento até então. O grupo Volkswagen emitiu nota negando que os motores 3.0 em questão também tenham sido fraudados.
Já em novembro, o presidente do conselho da Porsche e novo CEO do Grupo Volkswagen, Matthias Müller, anunciou que mais 800 mil carros do grupo foram fraudados. Segundo a Agência EFE, o Ministro dos Transportes da Alemanha, Alexander Dobrindt, informou que desse total, 98 mil são equipados com motor a gasolina. Até então, a Volkswagen havia explicado que apenas motores diesel contavam com o software que manipula as emissões.