Redução de velocidade e aumento de radares reduz número de acidentes, diz estudo

Fiscalização mais intensa poderia ter poupado mais de 21 mil mortes nos EUA em 2013

Por Redação Auto News Brasil


Marginal (Foto: Marcos Camargo / Editora 3PWEB) — Foto: Auto Esporte

A quantidade de acidentes fatais ou com sequelas graves aos envolvidos caiu 39% no município de Montgomery (Virginia), nos Estados Unidos, depois que a cidade diminuiu a velocidade máxima de algumas vias e instalou radares fixos e móveis. O estudo foi divulgado pela instituição sem fins lucrativos Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), que avalia a segurança do trânsito norte-americano. Segundo os responsáveis pelo levantamento, se as mesmas medidas tivessem sido implementadas em todo o país, mais de 21 mil mortes ou lesões graves em acidentes de trânsito teriam sido evitadas em 2013.

O estudo analisou o comportamento dos motoristas e índices de acidentes do município de Montgomery, que desde 2007 vem implementando um sistema mais rígido de controle da velocidade máxima dos carros. De lá para cá, a velocidade máxima das ruas daquela cidade caiu para 40 a 56 km/h. Além disso, foram instalados 56 radares fixos, 30 móveis e há seis vans que circulam pela cidade para multar motoristas que infrinjam a legislação.

Os benefícios da fiscalização mais intensa também foi percebido mesmo nas vias que não receberam radares. Segundo o levantamento, depois que alguns trechos tiveram a velocidade máxima reduzida para 56 km/h ou menos, outros locais, cuja velocidade máxima continuou em 64 km/h apresentaram uma redução de 27% na quantidade de acidente fatais ou com lesões graves. “Estamos acostumados a ignorar os avisos de limite de velocidade máxima, mas é um erro pensar que nada pode ser feito para mudar isso. A fiscalização eletrônica é uma das ferramentas que temos à nossa disposição”, afirmou Adrian Lund, presidente do IIHS durante evento em que essas e outras medidas foram debatidas.

Carro em alta velocidade em estrada (Foto: Shutterstock) — Foto: Auto Esporte

Os números também são positivos em Montgomery quando comparados aos de cidades próximas que não instalaram radares eletrônicos. A pesquisa aponta que em no município estudado a quantidade de motoristas que ultrapassam a velocidade máxima em alguma via em mais de 16 km/h é 59% menor, em comparação às cidades sem esse tipo de fiscalização. Ainda em comparação a essas cidades, a quantidade de acidentes fatais ou com lesões graves caiu 19% depois do projeto de fiscalização mais rígida. “Radares fazem os motoristas tirarem o pé do acelerador, e sabemos que acidentes em velocidades mais baixas são menos letais. Esse estudo liga os pontos para mostrar que os radares salvam vidas”, explica Lund.

O estudo divulgado pelo IIHS também mostra que parte dos motoristas multados tinha consciência de que havia mais radares pela cidade. Mas, no geral, a maioria reduziu a velocidade depois da implementação do projeto. Entre todos os entrevistados, 95% afirmaram conhecer o novo sistema de fiscalização eletrônica mais rígida. Cerca de 66% afirmaram ter reduzido a velocidade em que trafegam, 62% eram a favor dos novos radares e 59% foram multados por ultrapassar a velocidade máxima em algum trecho. Para o IIHS, “um programa bem administrado e que implante os radares corretamente pode mudar o comportamento dos motoristas e diminuir a possibilidade de acontecer um acidente”.

As vias expressas de Montgomery receberam um sistema de fiscalização ainda mais rígido a partir de 2012. No lugar dos tradicionais radares fixos, a administração pública espalhou aparelhos móveis. Além disso, a localização desses equipamentos muda frequentemente. Sem saber onde estão sendo fiscalizados, os motoristas diminuíram a velocidade dos carros. Assim, a quantidade de acidentes graves ou fatais nesses trechos caiu 30% de lá para cá. “As vias expressas monitoradas eletronicamente forçam os motoristas a controlar a velocidade de seus carros por todo o caminho, em vez de pisar fundo no freio em um lugar específico, e então acelerar de novo”, explica Anne McCartt, vice-presidente do órgão e co-autora do estudo.

É possível escapar do radar usando a velocidade? (Foto: Thinkstock) — Foto: Auto Esporte

Discussão em SP

Uma discussão semelhante está acontecendo em São Paulo. Em 2013, a prefeitura local deu início ao “Programa de Proteção à Vida”, como forma de atingir um compromisso firmado pela capital em 2009 e que previa a redução do número de mortes no trânsito em 50% até 2020. A

Desde julho, a velocidade máxima de diversas vias da capital paulista está sendo reduzida. O objetivo final é de que a velocidade máxima de vias comuns seja padronizada em 50 km/h, com algumas poucas exceções em vias expressas.

Em 20 de julho, as Marginais Tietê e Pinheiros sofreram a mais polêmica das alterações, quando as pistas expressas passaram de 90 km/h para 70 km/h, enquanto as expressas foram de 7 km/h para 50 km/h. Os caminhões não podem passar dos 60 km/h nas pistas expressas. De lá para cá, á velocidade máxima de outras importantes avenidas também está sendo alterada.

Reportagem de Auto News Brasil mostrou que os motoristas levam cerca de 13 minutos a mais para cruzar toda a pista expressa das marginais com a nova velocidade. Na local, o tempo aumentou em 24 minutos. Por outro lado, estudos da Companhia de Engenharia de Tráfego da capital paulista mostram que a possibilidade de lesões fatais cai de 100% em acidentes acima de 80 km/h para cerca de 50% a 50 km/h.

Por outro lado, Kazuo Nakano, mestre em estruturas urbanas e ambientais pela USP, pondera que a redução de velocidade é uma medida importante, mas com efeito restrito. “Pelo ponto de vista do pedestre, a redução da velocidade ainda pode ter uma resposta muito limitada. Nós precisamos ter melhores sinalizações, melhores calçadas, melhores travessias. A medida em si mesmo tem efeito limitado”, explica.

Segundo balanço oficial da prefeitura, a redução de velocidade nas marginais contribuiu com queda de 20% na quantidade de acidentes sem vítimas e de 29% na quantidade de acidentes com vítimas, em comparação ao mesmo período de 2014. Os atropelamentos caíram 67% no primeiro mês de implantação da medida.

Arte - matéria marginal (Foto: Auto News Brasil) — Foto: Auto Esporte
Mais recente Próxima Como são os carros vendidos aqui em versão diesel

Continuar lendo