Brazil Classics Fiat Show - Simplesmente o mais chique

Araxá transformou-se num museu a céu aberto no último final de semana, com a exposição de automóveis de coleção tão sofisticada quanto as mais badaladas do mundo

Por Boris Feldman


O evento foi sediado nos jardins do Grande Hotel de Araxá (Foto: Boris Feldman) — Foto: Auto Esporte

Encontro de carros antigos não são novidade, eles acontecem em todo o país em praticamente todos finais de semana. O que realmente diferencia o evento organizado pelo Veteran Car na estância de Araxá não é a quantidade de raridades e sim a qualidade dos clássicos expostos por lá. Não está no gibi o que tem de carro capaz de ofuscar a imponência do Grande Hotel de Araxá, onde foi realizado o evento. Como manda a tradição, o Brazil Classic Fiat Show é realizado a cada dois anos, sempre durante o feriado de Corpus Christi e, como foi antes, com patrocínio da Fiat.



Foram mais de 20 mil visitantes do Brasil e exterior. Nada mal, porque, curiosamente, o evento foi realizado ao mesmo tempo do encontro de Águas de Lindóia por causa de uma rixa entre organizadores. O evento paulista até recebeu centenas de automóveis antigos, porém a grande maioria foi exposta nos próprios estandes dos lojistas.  Bem diferente de Araxá, onde a raridade e valor histórico dos quase 300 automóveis expostos conferiram ao evento um padrão internacional.

Ferrari Barchetta 225 S 1952 (Foto: Boris Feldman) — Foto: Auto Esporte

Falando em raridade, o grande destaque do encontro foi uma Ferrari 225 S Barchetta de 1952. Há apenas cinco sobreviventes de oito carros feitos para competições. É um verdadeiro achado: abandonada durante muitos e muitos anos no Brasil, a barquinha de corrida foi restaurada pela própria fábrica em Maranello e entregue ao proprietário com pompa pelo próprio filho de Enzo Ferrari. É tão incontestável que recebeu o prêmio de “Hors Concours”, pois se trata de um dos mais raros e valiosos automóveis do mundo. Apenas a mais rara entre outras oito Ferrari.

Melhor de todos

Quem levou o prêmio de "best of show", o Troféu Roberto Lee, foi um igualmente raro e belíssimo Bugatti modelo 57 Stelvio-Gangloff de 1938. Para marcar, o prêmio foi entregue pela própria filha de Roberto Lee, Mariângela Matarazzo Lee.  O Museu Roberto Lee está em processo de restauração pela prefeitura de Caçapava. O seu curador Marcelo Bellato colaborou para tornar o evento ainda mais interessante e, entre outros clássicos, levou um belo Tucker Torpedo (o único no Brasil).

Bugatti modelo 57 Stelvio-Gangloff (Foto: Boris Feldman) — Foto: Auto Esporte

Outro destaque em Araxá foi a presença do Museu Roberto Lee, em processo de restauração pela Prefeitura de Caçapava. Seu curador, Marcelo Bellato, levou o único Tucker no Brasil, dois Packard 1926 e 1927 em absoluto estado de originalidade (até os pneus), um Alfa Romeo BP3 monoposto 1932 e o Hispano Suiza de 1911.

Não faltaram raridades que chegavam a formar grupinhos privilegiados. Caso de quatro Aston Martin, um agrupamento que inclui raros DB5 (o eterno Bond Car), dois DB6 e suas inconfundíveis caudas de pato e um belo V8. Os fãs dos elegantes esportivos italianos tiveram a sua disposição o aerodinâmico Alfa Romeo 6C 2500 Beneschi de 1950, sem falar no curioso Fiat Competizione 1924

O luxo de outras eras foi representado por um raríssimo "conde italiano", o Isotta Fraschini 1925, em conjunto com Rolls-Royces de várias eras, com detalhes ao estilo de um belo kit para piquenique no bagageiro traseiro. Não só os italianos conseguiam fazer carros capazes de rivalizar com os ingleses da Rolls. Lado a lado, um espanhol Hispano Suiza e um americano Packard 1926 mostram que a nobreza automotiva era mais espalhada antigamente. Pertencentes ao Museu Roberto Lee, os luxuosos europeus estavam ainda com pneus originais!  

Alfa Romeu 6C 2500 Beneschi 1950 (Foto: Boris Feldman) — Foto: Auto Esporte



Uma das coisas mais curiosas desses eventos é a chance de ter contato com automóveis centenários. É o caso do Peugeot Torpedo Labourdette 1908.  Sem falar do contato com marcas que se foram há décadas. Que o digam os ingleses, cuja indústria automotiva se encolheu ao ponto de transformar um Armstrong Siddeley 1948 em um modelo reconhecível apenas pelos especialistas mais espertos.

Outra chance é a de ter contato com carros que foram revolucionários em seu tempo. O Tatra 87 era a evolução dos modelos com motor traseiro e aerodinâmica em gota que caracterizavam os carros da tcheca. Embora tenham raiz comum ao Fusca, esses fluídos modelos tinham motor bem maior, no caso um V8 3.0 de 90 cv.

Prêmiações e leilões

O evento homenageia também quem tenha contribuído significativamente para o antigomobilismo com o Trofeu Lalique. Nesta 21ª edição, quem o recebeu foi Henrique Thielmann, presidente da Federação Brasileira de Automóveis Antigos nos últimos sete anos.
No leilão, mais de 80 automóveis foram oferecidos e 45 deles vendidos sob o martelo, desde uma Lambretta por R$ 12 mil até um Ferrari 308 por R$ 205 mil.

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